Real Dor Hospital Materno Infantil
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Técnica em enfermagem é presa por suspeita de tentativa de homicídio contra 4 recém-nascidos

Simone Anjos dos Santos teria rompido de propósito cateteres de incubadoras onde estavam os bebês, no Hospital Real D'Or

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

03 Maio 2018 | 13h14
Atualizado 03 Maio 2018 | 20h12

RIO - Uma técnica em enfermagem foi presa na quarta-feira, 2, no Rio acusada de tentativa de homicídio de quatro recém-nascidos que estavam internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal do Hospital Materno Infantil Real D’Or, em Padre Miguel, zona oeste carioca. Simone Anjos dos Santos, de 41 anos, teria rompido de propósito os cateteres nas incubadoras onde estavam os bebês.

O caso foi denunciado pelo próprio hospital, que é particular, depois de uma sindicância interna aberta em janeiro deste ano, quando foram encontrados os quatro cateteres rompidos. A técnica em enfermagem foi afastada e o caso, encaminhado à Polícia Civil.

De acordo com as investigações, os alvos de Simone eram recém-nascidos que se encontravam em terapia nas incubadoras na UTI Neonatal. Depois da retirada dos cateteres dos bebês, eles ficavam presos à portinhola de fechamento das incubadoras.

A prisão de Simone foi realizada por policiais da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV). Segundo a polícia, os recém-nascidos foram expostos a riscos iminentes de hipoglicemia e de contraírem infecção no sangue relacionada ao cateter, o que os levaria à morte. Pelo menos quatro crianças teriam sido vítimas da técnica em enfermagem – todas elas sobreviveram.

Nesta quinta, Simone prestou depoimento e negou as acusações. A enfermeira, contudo, foi indiciada com base em imagens de câmeras do circuito interno do hospital.

De acordo com a delegada titular da DCAV, Juliana Emerique, o pedido de prisão preventiva foi feito à Justiça “para evitar que ela continuasse praticando o ato”. Em entrevista à Globonews, a delegada informou que também está investigando se há outros casos, incluindo em outros hospitais nos quais Simone trabalhou nos últimos anos. Ela informou que atua como profissional da área há cerca de dez anos.

Na tarde desta quinta, o clima era de aparente tranquilidade no Real D’Or. Mas pais de crianças que deixavam a instituição se disseram preocupados com a denúncia contra Simone. 

“A gente fica assustada com uma notícia dessas. Acho que essa enfermeira surtou. Nossa, como pode fazer isso?”, questionou a professora Natália Inácio Nogueira, que havia levado o filho Miguel, de 2 anos, para uma consulta. “Me causa surpresa. É a terceira vez que trago Miguel nesta emergência e ele sempre foi super bem atendido. Agora a gente fica pensando no nosso filho no lugar dessas crianças.”

Afastamento. Em nota, a Rede D’Or São Luiz informou que “não houve qualquer dano ou consequência aos pacientes em decorrência do reportado”. 

Segundo a instituição, “o hospital possui e segue continuamente rígidos protocolos de segurança, tendo imediatamente e de modo preventivo afastado a profissional em questão e em seguida comunicado a situação alegada às autoridades policiais competentes para a devida averiguação e providências”. O Estado não conseguiu contato com a defesa de Simone. 

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