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Vídeo mostra PMs do Rio atirando contra homens caídos no chão

Corregedoria vai apurar a gravação; em versão inicial, PM disse que mortes de suspeitos teriam sido resultado de uma troca de tiros

Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

30 Março 2017 | 20h58

RIO - Um vídeo divulgado nesta quinta-feira, 30, mostra dois policiais militares do Rio atirando à queima-roupa contra dois suspeitos que estavam caídos em uma calçada. A execução ocorreu ao lado de uma escola - aparentemente se trata da escola municipal Daniel Piza, em Acari (zona norte). Nessa mesma unidade de ensino, na tarde desta quinta, uma estudante de 13 anos morreu atingida por uma bala perdida enquanto praticava aulas de Educação Física.

Informada sobre o vídeo, a Polícia Militar disse em nota que "em virtude do que é exposto, o Comandante Geral determinou que a Corregedoria Interna da Polícia Militar assuma a apuração da flagrante ilegalidade e assim responsabilize os envolvidos".

A bala que atingiu a estudante teria sido disparada durante um confronto entre policiais e assaltantes. A PM informou ter sido acionada porque ladrões estavam roubando motoristas que trafegavam pela Avenida Prefeito Sá Lessa, a rua da escola. Nessa operação, além da menina atingida acidentalmente, dois suspeitos foram mortos pela PM. 

Segundo a versão divulgada inicialmente pela PM, a morte dos suspeitos, com quem foram apreendidos um fuzil e uma pistola, teria resultado de uma troca de tiros. A suspeita é que o vídeo mostre exatamente esses suspeitos sendo executados pelos policiais.

Educação física. A menina Maria Eduarda Alves da Conceição, de 13 anos, morreu atingida por uma bala perdida enquanto fazia aula de Educação Física na Escola Municipal Daniel Piza na tarde desta quinta-feira, 30. Após sua morte, moradores da vizinhança interditaram a Avenida Brasil, uma das principais vias de acesso ao Rio, próximo ao cruzamento com a Avenida Martin Luther King Junior. Criminosos aproveitaram o tumulto para assaltar motoristas, e a situação só foi controlada quando policiais militares de seis batalhões chegaram ao local, por volta das 18h.

Por volta das 16h a Polícia Militar recebeu a denúncia de que criminosos assaltavam carros na Avenida Prefeito Sá Lessa, a mesma onde fica a escola, em um trecho distante cerca de 500 metros da unidade de ensino. Agentes do 9º e do 41º batalhões (respectivamente, Rocha Miranda e Irajá) foram até lá, usando inclusive um veículo blindado, e quando chegaram houve troca de tiros com os assaltantes. Enquanto isso, Maria Eduarda Alves da Conceição praticava educação física na escola, onde cursava o 7º ano do ensino fundamental. Ela foi atingida por uma bala perdida, que ainda não se sabe se partiu da arma de um policial ou de um criminoso, e morreu na hora. Ao ser informada sobre a morte da filha, a mãe passou mal e precisou de atendimento médico.

Logo em seguida, moradores iniciaram um protesto que em vários momentos interrompeu o trânsito na Avenida Brasil, nos dois sentidos. Lixeiras foram incendiadas e pedaços de concreto foram colocados no meio da via, para impedir o trânsito de veículos. 

Durante esse ato, criminosos também aproveitaram para assaltar veículos parados no congestionamento. Policiais militares de seis batalhões foram então chamados para prender esses ladrões e policiar a região. Eles usaram bombas de gás para dispersar os manifestantes. O tumulto só foi controlado por volta das 18h, mas até as 19h30 moradores ainda tentavam interditar a avenida Brasil e o clima era de tensão.

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