FABIO MOTTA/ESTADÃO
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Violência no Rio ameaça desenvolvimento das crianças, alerta Unicef

Alerta é feito após levantamento apontar que 25% das escolas municipais interromperam aulas por causa de tiroteios ou operações

Jamil Chade e Marcio Dolzan, Correspondente de O Estado de S. Paulo

20 Julho 2017 | 09h53
Atualizado 20 Julho 2017 | 23h05

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef, na sigla em inglês) alerta que a violência no Rio ameaça a capacidade de crianças da cidade desenvolverem seu potencial e diz estar “preocupada” com a situação, principalmente em escolas. 

No Rio, diz a Secretaria Municipal de Educação, um em cada cinco alunos perdeu um dia letivo ou parte da aula por causa da violência. No País, segundo a Unicef, quase 10% dos adolescentes registrados no ensino público no Norte e no Nordeste do País foram vítimas do fechamento de escola por causa da violência. No Sul, essa taxa foi de apenas 2%. “Crianças no Rio de Janeiro estão sob um grande risco de não serem capazes de desenvolver seu potencial completo”, afirmou a entidade da Organização das Nações Unidas (ONU) que se ocupa da infância. 

O alerta foi lançado depois que a Secretaria Municipal de Educação da cidade brasileira indicou que, de 105 dias do ano letivo, a rede funcionou sem interrupção por episódios violentos (tiroteio, toque de recolher, assalto, operação policial) em apenas oito. Além disso, 382 das 1.537 escolas - uma em cada quatro - tiveram de fechar ou interromper atividades pelas mesmas razões. Ao menos 129,5 mil alunos foram prejudicados por aulas suspensas nesses casos. 

Um dos casos mais marcantes neste ano foi a morte de uma adolescente de 13 anos enquanto fazia aulas de Educação Física em uma escola de Acari, na zona norte. Policiais perseguiam bandidos nas redondezas e a garota foi atingida por três tiros. “A Unicef está preocupada com o impacto da violência no Rio de Janeiro nas crianças vivendo nos bairros afetados”, diz a Unicef. “Estudos mostram que interrupções seguidas em ambientes violentos afetam negativamente a capacidade de uma criança de se concentrar e de aprender sem medo.”

A entidade cita os impactos da violência. “Ter de buscar abrigo e por vezes testemunhar atos de violência também tem um impacto psicossocial devastador em crianças, com muitas delas sofrendo de síndromes de estresse, como pesadelos e ansiedade”, afirma. 

Ainda de acordo com a entidade, “crescer em um ambiente com incidentes frequentes de violência armada pode levar as crianças a entenderem a violência como uma forma normal de resolver conflitos”. 

Repercussão. A Secretaria Municipal de Educação (SME) carioca afirmou nesta quinta-feira que a discussão do problema “é hoje uma das principais pautas” da cidade. O órgão informou que grupos territoriais estão sendo montados para discutir a violência no entorno das escolas e seus impactos para alunos, professores e funcionários.

“Cada uma das 11 Coordenadorias Regionais de Educação está promovendo encontros com os batalhões de Polícia de sua abrangência territorial para discutir a situação de vulnerabilidade das unidades escolares”, informou a nota. A pasta afirmou que tem tomado medidas para reverter o quadro.

Procurada pelo Estado, a Secretaria Estadual de Segurança Pública do Rio não se manifestou sobre o alerta que foi dado pela Unicef.

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