Férias em Santos

Estadão

14 Agosto 2012 | 10h48

Grupo de amigos em Santos

Com 100 mil habitantes, a Santos de 1924 crescia num ritmo acelerado. O desenvolvimento do comércio, antes restrito à Rua Santo Amaro, atual Rua do Comércio, ia expulsando as residências para a praia e os subúrbios. O Teatro Coliseu, fundado em 21 de junho daquele ano pelo comendador Manoel Fins Freixo com uma montagem de A Bela Adormecida, destinava-se não só às peças de teatro como à exibição de filmes e espetáculos. Os ricos chegavam às sessões em automóveis de rodas altas, os mais pobres iam de bonde. Com tanta gente fazendo o centro da cidade litorânea fervilhar, bares, restaurantes e lojas passaram a abrir nos fins de semana.

Praia quase vazia e trajes de banho bem mais cobertos

O progresso da cidade fundada por Brás Cubas se intensificou com a inauguração da ferrovia entre Santos e São Paulo em 1867, que facilitou o acesso de turistas, sobretudo da capital paulista. E, anos depois, já no século 20, passou a ser possível também se aventurar por carro na estrada aberta entre o planalto e o litoral.

Alcançar essas cidades costeiras, no entanto, era missão complicada. “O acesso às praias era difícil”, conta Malcolm Forest. “Ia-se pela própria praia, não havia estradas. Itanhaém, Praia Grande e outras praias eram lugares quase desertos. Havia pouquíssimas casas. As travessias de canais e cursos d’água criavam também problemas”.

Antigo automóvel nas areias da praia

Segundo o autor, “às vezes era necessário esperar a maré baixar para se trafegar”. “Muitos carros ficavam encalhados na areia”, lembra Forest. “Em outras situações mais aflitivas, a maré subia e pegava os banhistas desprevenidos, sendo o carro inundado com a água salgada do mar, altamente corrosiva”.

Pesquisando jornais antigos, é possível descobrir que o modo de vida dos santistas no começo do século 20 lembrava mais o dos cariocas que o dos paulistanos. Até nos bondes, pintados de verde escuro, com dois estribos e condutores e motorneiros fardados de azul – em São Paulo, os bondes da Light eram vermelhos, tinham um só estribo e homens de fardas diferentes.

Aluguel de bicicletas era uma das opções de lazer em Santos

Nos retratos deste post, porém, o que mais chama a atenção são os trajes de banho do começo do século passado. Seguindo as rígidas normas da etiqueta da época, biquínis e maiôs cavados eram completamente vetados e imperavam modelos que hoje mais lembram macacões. Só com o passar das décadas os tamanhos das peças de banho foram gradativamente diminuindo. Era comum também que grupos de parentes e amigos preparassem ou alugassem trajes semelhantes para o banho de mar. Como podemos ver na foto abaixo, só mudavam os tamanhos.

Modelito parecido para o grupo inteiro

E você? Tem em casa alguma foto antiga de Santos ou outra cidade do litoral paulista? Mande pra gente pelo e-mail blogalbumderetratos@gmail.com. Ela será publicada no blog, sem qualquer custo para as partes.