No tempo dos lambe-lambes 2

Estadão

30 Março 2012 | 09h04

Dois cavalheiros com tarjas de luto na lapela posam na praça em frente à antiga Basílica de Nossa Senhora Aparecida

 

Os lambe-lambes não eram coisa só do Brasil. Em alguns países da América Latina, eles eram chamados de “minuteiros”. Mas aqui foram fundamentais para documentar como brasileiros e imigrantes das primeiras décadas do século 20 viveram, passearam, divertiram-se. Mestres em eternizar momentos importantes, geralmente alegres, eles construíram parte de nossa memória visual, popularizando flagrantes de personagens anônimos, espaços públicos, instantes de religiosidade, lazer, comportamento, vestuário e costumes, não só em pontos chave da São Paulo da época, como o Jardim da Luz, o Museu do Ipiranga e o Parque Dom Pedro II, como em várias outras cidades muito procuradas por turistas, como Santos, Guarujá, Aparecida, Poços de Caldas e outras estâncias hidrominerais.

No verso desta foto, pode-se ler: “De passagem para o exílio, no quadriênio nefasto. Santos, 28/8/1926”

 

Pelos retratos dos lambe-lambes, geralmente impressos em pedaços de papel fotográfico, de 9 por 14 centímetros, podemos observar hoje poses de família no começo do século, casais apaixonados em dias especiais, grupos de amigos se divertindo no carnaval, fiéis em cidades religiosas com a igreja ao fundo, crianças brincando, gente em férias pelo litoral, orgulhosos proprietários – ou aspirantes a proprietários – de automóveis.

Sem a qualidade das imagens de estúdio, as fotografias lambe-lambe muitas vezes apresentavam marcas de pregadores usados após a revelação, quando as fotos eram penduradas para secar

 

Para driblar a concorrência, muitos lambe-lambes expunham suas fotografias em galhos de árvores, cordas amarradas a estacas improvisadas, no chão e até nos botões das próprias roupas. As laterais da câmera também serviam de mostruário. E muitos não abriam mão de um espelhinho, para que os interessados se penteassem.