Rizzo e sua filha Gioconda

Estadão

15 Maio 2012 | 11h51

Estúdio no começo do século passado era assunto de homem. À mulher cabia no máximo ajudar na administração. Em 1914, só havia uma fotógrafa profissional em São Paulo, segundo o texto O Retrato da Ousadia, de André Lima. Chamava-se Gioconda Rizzo e era filha de Michele Rizzo, dono do Ateliê Rizzo, que no final da década de 1890 se apresentava como o primeiro fotógrafo italiano radicado em São Paulo.

Menino faz pose em cavalo do estúdio Rizzo

Fotógrafo trabalhou em pelo menos dois números da Rua Direita: o 10C foi um deles

Michele Rizzo costumava fotografar pessoas importantes, famílias tradicionais e formaturas da Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Manteve por décadas seu estúdio na Rua Direita, centro paulistano. Pelas inscrições presentes nas molduras e nos versos das fotos, é possível observar dois endereços diferentes na mesma via: no número 10C e no 55.

 Formato da moldura era importante para compor o retrato

A filha pegou o gosto do pai e, diz André Lima, sua estreia na fotografia surpreendeu: “Gioconda enquadrou apenas os ombros e o rosto, quando ainda era comum entre os fotógrafos retratar as pessoas de corpo inteiro, em pé ou sentadas. A atitude ousada de Gioconda rompeu com os padrões da época e chamou a atenção das damas da alta sociedade paulistana. Em pouco tempo, ela ganhou fama e clientela própria”.

Por ordem do pai, Gioconda só atendia senhoras e crianças – com preferência para as primeiras, pois as segundas davam muito trabalho – e entre 1914 e 1916 teve até estúdio próprio. Batizado de Photo Femina, também funcionava na Rua Direita. O local só fechou porque um dia seu irmão mais velho percebeu entre as clientes cortesãs francesas e polonesas. Sem escolha, Gioconda teve de voltar a trabalhar com o pai.

Verso de uma foto tirada no ateliê da família Rizzo

PS: Veja mais informações sobre fotógrafos italianos que trabalhavam em São Paulo no começo do século passado no post Italianos.