A cobertura do Estado na Guerra Ítalo-Turca

A cobertura do Estado na Guerra Ítalo-Turca

Lizbeth Batista

05 Outubro 2011 | 08h45

Na coluna Notas e Informações, o jornal esclarecia algumas das limitações da cobertura sobre a Guerra Ítalo-Turca.

Quinta-feira, 05 de outubro de 1911

Explicava-se dizendo que “Em tempo de guerra (…) e no curto espaço que medeia entre duas edições da mesma folha, não é possível apurar, com critério seguro, a exactidão das informações que de todos os pontos nos mandam as agencias e os correspondentes.” Mesmo sem poder contar com a precisão que gostaria, o jornal compreende que “o público não perdoaria aos jornaes a ausência desse indispensável alimento á sua justa curiosidade.”

 

Ainda sim a cobertura do Estado, extensa para um jornal do período, publicou diariamente diversos telegramas vindos da Itália e de outros países europeus, principalmente da Inglaterra, Alemanha e França. As páginas centrais contavam com mapas que indicavam a região abrangida no teatro da guerra Ítalo-turca. E diferentes imagens, que mostravam as paisagens da região, as edificações e os costumes do povo árabe habitante do norte da África.

Com um apanhado de notinhas, a capa do Estado informou, nos dias que antecederam a guerra, o teor das negociações diplomáticas e o estágio do entrave entre Itália e Turquia. Depois de declarada guerra, a primeira página colocava o leitor a par da situação na Tripolitânia, informando sobre as manobras das tropas italianas, a movimentação das forças turcas e sobre os desfechos das batalhas travadas.

Reconhecendo que o interesse pelo desenrolar da guerra era grande no Brasil, devido à extensa colônia italiana e árabe que vivia no país, o jornal buscou informar da maneira mais acertada e atualizada possível, pois “tratando-se de um conflicto entre a Itália e a Turquia, não é só o nosso dever de jornalistas que nos obriga a esse sacrifício. Fazel-o é prestar uma merecida homenagem a uma grande parte dos nossos leitores, filhos dos dois paízes em lutam cuja anciedade por notícias da guerra facilmente se calcula.”

Sendo o único veículo do país que fazia uma cobertura nos padrões da realizada, o jornal fechava a nota, delicadamente, requerendo aos demais diários que seus créditos fossem devidamente reconhecidos.

 

Pesquisa  e texto: Lizbeth Batista

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