A difícil tarefa de traduzir o horror

A difícil tarefa de traduzir o horror

Lizbeth Batista

03 Setembro 2011 | 21h45

 

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Como condensar num jornal o horror vivido e testemunhado em todo o mundo, pelas ininterruptas horas de transmissão ao vivo pela TV e expressar a gama de sentimentos produzidos pelos ataques terroristas daquela terça -feira? Essa era a delicada tarefa dos jornalistas que produziram a

. Criar uma edição que contemplasse a aterradora cadeia de eventos que se abateu sobre os Estados Unidos, no dia em que em menos de três horas “dois dos maiores símbolos de seu poder econômico e militar foram parcialmente ou totalmente destruídos por um ataque terroristas sem precedentes.”

Na capa as imagens confirmavam a tragédia do dia anterior, o que não parecia real, porque até então era inconcebível.  Via-se a ilha de Manhattan coberta por uma densa nuvem de poeira, a primeira torre do World Trade Center em chamas enquanto o 2º avião seguia sem hesitação na sua trajetória, atingindo a segunda torre.  A manchete dizia “Terrorismo declara guerra aos EUA”.

O ataque à Pearl Harbor, durante a 2ª Guerra Mundial, foi evocado na tentativa de buscar no passado algum paralelo que pudesse alcançar a dimensão daqueles eventos. A primeira página já falava de pistas que apontavam Osama Bin Laden como responsável e afirmava que o sistema de defesa norte-americano falhou ao não detectou o ataque.

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O título “Um país em estado de choque” abriu o caderno especial, EUA sob Ataque. Nas suas 24 páginas foram publicadas imagens do cenário de destruição e desespero provocado pelos ataques. Correspondentes narraram os momentos de terror e desolação vividos pela população americana, cobriam a mobilização das forças militares e o aguardado pronunciamento do presidente George W. Bush, que prometeu caçar os responsáveis. No Brasil, repórteres contaram histórias de brasileiros que buscavam notícias sobre familiares e amigos nos EUA, informaram as providências tomadas pelo Itamaraty e as medidas acionadas na cidade de São Paulo num dia onde não se poderia dizer até onde o terror iria. Infográficos retratavam os ataques, traziam estimativas do número de vítimas, informações sobre os aviões sequestradas e sobre os alvos atingidos. Quadros apontavam questões ainda sem respostas, indicavam a sequência dos eventos e elencavam os possíveis suspeitos, com Bin Laden encabeçando a lista que incluía, entre outros, o líder iraquiano Saddam Hussein.

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O editorial expressava o espírito do dia após a tragédia, buscava alguma compreensão sobre o ocorrido e concluía que, mais que um ato de guerra contra os EUA, os ataques atingiram “todo um sistema de valores que a Humanidade conseguiu edificar no Ocidente, e que tem de ser preservado, a todo o custo, para as futuras gerações.“

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(Este texto foi publicado no caderno Especial 11de setembro, em 04/09/2011.)

Pesquisa  e texto: Lizbeth Batista

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