Calcinhas, cuecas, roupas íntimas e o poder

Calcinhas, cuecas, roupas íntimas e o poder

rosesaconi

31 Maio 2012 | 20h12

Sexo e poder. Uma relação permanente, prazerosa e perigosa. O caso da calcinha encontrada no plenário da Câmara dos Deputados e incinerada em seguida entra para o rol de histórias pitorescas da política. No Brasil,  roupas íntimas já renderam cassação de mandato, prisão e uma pequena crise no gabinete presidencial por causa da falta de uma calcinha.

Em 1949, fotos de deputado de cueca provocou a primeira cassação por quebra de decoro

Em 1949, fotógrafos da revista O Cruzeiro convenceram o deputado federal Edmundo Barreto Pinto a deixar-se fotografar apenas de camisa, gravata, a parte superior de um fraque e cueca samba-canção. Foi um escândalo nacional. O parlamentar garantiu que havia sido enganado. Os repórteres teriam prometido divulgar apenas a parte de cima da foto. Foi o primeiro caso de cassação de um mandato por quebra de decoro parlamentar.

2009 – Dinheiro na cueca

O empresário Alcyr Collaço foi flagrado em vídeo colocando maços de dinheiro na cueca. Collaço tem um histórico de crimes financeiros e negócios engendrados à sombra do poder político.  Ex-operador credenciado na Bolsa de Valores de São Paulo,  foi alvo de denúncias sobre aplicações suspeitas de fundos de pensão, investigadas em 2005 pela CPI dos Correios. Dados levantados pela Inteligência da Polícia Federal, no curso da operação Caixa de Pandora, que desmantelou o propinoduto do DEM do Distrito Federal, apontaram Collaço como dono da corretora Ipanema, envolvida em fraudes que deram prejuízo de mais de US$ 10 milhões ao banco Santander, em 2001.

 

2005 – Assessor do PT é preso com mala de notas e US$ 100 mil sob a roupa

Ao tentar embarcar no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, José Adalberto Vieira da Silva, assessor do PT,  chamou atenção ao passar pela máquina de raio X: havia grande quantidade de dinheiro na mala que levava na mão.  Aberta a bagagem, a Polícia Federal encontrou R$ 209 mil.  Silva foi revistado e descobriu-se também que, sob a cueca, levava US$ 100 mil.  Ele era assessor do líder do PT na Assembleia Legislativa do Ceará, o deputado José  Nobre Guimarães, membro do Diretório Nacional petista e irmão do então presidente do partido, José Genoino. O escândalo culminou com a renúncia de Genoino do posto.


2008 – Empresário é preso com euros na cueca

O empresário Enivaldo Quadrado, réu do mensalão por falsidade ideológica,  foi preso em flagrante pela Polícia Federal no Aeroporto de Cumbica com € 361.445 (R$ 1,16 milhão) não declarados à Receita Federal. O dinheiro estava dividido entre sua mala, roupas, meias e cueca. Quadrado era ex-sócio da Bônus Banval Corretora de Valores, suposto canal para lavagem de dinheiro de Marcos Valério, operador do mensalão.

1994 – Itamar Franco


O ex-presidente Itamar Franco ganhou as manchetes dos jornais no carnaval de 1994 ao ser fotografado no sambódromo do Rio ao lado da modelo Lilian Ramos, que estava sem calcinha.

2004 – Darlene de Brasília

Divulgadas na internet fotos eróticas da ex-funcionária do Ministério da Agricultura, Fabíula Rodrigues da Silva, de 18 anos, feitas numa sala do 9.º andar do prédio, onde funcionava a Secretaria-Executiva.  A “Darlene de Brasília”, referência à personagem de novela de sucesso na época que fazia de tudo para aparecer, foi demitida da Federal Service. Fabíula afirmou que as fotos foram feitas por um funcionário do ministério da Agricultura.

Recentemente, o senador Eduardo Suplicy teve que se explicar por ter usado uma sunga vermelha  sobre a roupa durante uma brincadeira do programa Pânico na TV.

No exterior também não faltam casos rumorosos. O ex-presidente americano Bill Clinton e o ex-diretor-gerente do FMI Dominique Strauss Kahn que o digam.

Pesquisa e texto: Rose Saconi e Edmundo Leite
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