Despedidas de craques

Despedidas de craques

Edmundo Leite

16 de fevereiro de 2011 | 08h39

“Ele preparou com calma – a mesma que conseguiu impor a todo seu sucesso – o momento de finalizar a carreira de um dos maiores atacantes do futebol brasileiro, do atleta mais caro já negociado pelo esporte, do passista magistral, do arrematador exato na porta do gol.”

Poderia ser um texto sobre a despedida de Ronaldo, mas é sobre um outro cruzeirense ilustre: Tostão, gênio do futebol, tricampeão do mundo em 1970 e protagonista de uma das mais dramáticas despedidas do esporte.

Publicado no Estado em  14 de abril de 1973, o texto descrevia o desfecho da luta do jovem craque de 26 anos  contra um problema de saúde que quase o fez perder a vista.

O anúncio de que o tricampeão não poderia mais jogar foi feito pelo médico Roberto Abdalla Moura, através de um “filme”, como se dizia na época, transmitido pela TV Globo:

“… em virtude da gravidade da situação, foi aconselhado a diminuir suas atividades no futebol, pois a vista lhe acarretará prejuízos em sua carreira profissional”, disse o médico. Tostão, após insistência da repórter Cidinha Campos, que acompanhava o caso pela TV Globo em Houston, completou:

“Vou ter que deixar o futebol. E faço isso com pesar, porque gostava da minha profissão. Tinha que parar um dia, mas isso foi abreviado. Pensava em parar daqui uns cinco anos, mas não será possível. A vida oferece tanta coisa e encontro-me reanimado para começar minha vida nova.”

Veja detalhes da despedida de outros craques nas páginas do  Estado:

GARRINCHA

Já há muito fora dos principais gramados, o genial jogador fazia jogos de exibição que lhe garantiam a sobrevivênca. Em 1973, fazia treinos físicos no Palmeiras quando anunciaram que um jogo de despedida da seleção seria realizado em sua homenagem. A partida aconteceria no final daquele ano. O destaque seria Pelé.

PELÉ

A despedida do maior jogador do mundo de todos os tempos aconteceu com uma grande festa nos Estados Unidos, com o seu Cosmos fazendo um amistoso contra o seu Santos. Se despediu alcançando a imbatível marca de 1281 gols.

Reginaldo Leme, a atual colunista de Fórmula 1 estava lá e escreveu um relato.

Um outro texto, reproduzido do New York Times, fazia comparações do momento de Pelé com o de outro gênio do esporte: Muhhamad Ali, que insistia em manter sua carreira, apesar de não mais mostrar o mesmo vigor dos velhos tempos.


  

RIVELINO

Outro campeão da seleção que consquistou o tri em 1970, o craque tinha 34 anos em 1981, a mesma de Ronaldo hoje, e recusou propostas para continuar a jogar:

“É uma decisão difícil, mas está tomada em definitivo: não jogo mais futebol profissionalmente”.

O texto publicado no Jornal da Tarde em 27 de maio de 1981 relata que o craque se emocionou com as próprias palavras: “Foram vinte anos de carreira. Acho que fiz tudo o que poderia fazer. Quem viu, viu, agora chega.”

ZICO

Craque de primeira grandeza,  mas que não conseguiu um título mundial com a seleção brasileira, o flamenguista e titular da mítica seleção da Copa de 82, se despediu do futebol numa goleada por 5 a 0 contra o Fluminense na cidade mineira de Juiz de Fora, em dezembro de 1989. Foi seu último jogo oficial. Um outro, contra um combinado de estrelas seria realizado meses depois no Maracanã.

ROMÁRIO

Com sua obsessão em superar a marca dos 1.000 gols, o craque  tetracampeão estendeu sua carreira até os 42 anos. Quando finalmente decidiu parar, ninguém mais levava a sério a sua contagem. O anúncio, feito numa festa de lançamento de um DVD sobre ele  num restaurante no Rio, era o atestado de que poderia ter parado antes com a dignidade que merecia.

#
Pesquisa: Rose Saconi e Lizbeth Almeida
Produção de imagens: César Augusto Franciolli

Tendências: