França e sua crescente paixão pelos esportes

França e sua crescente paixão pelos esportes

Lizbeth Batista

22 Setembro 2011 | 13h11

Sexta-feira, 22 de setembro de 1911

Correspondência vinda da França descrevia o crescente interesse do país pelos esportes.

O autor, Henri Lorin, chega a surpreender-se com o fato: “Os meus camaradas e eu nunca pensamos, há vinte e cinco annos, quando terminamos os estudos clássicos, que a França viria a ser, sob os nossos olhos, um paiz apaixonado de todos os “sports”.

Sua surpresa, tal como a de outros de sua geração, residia na crença que a tradição filosófico-intelectual cultural da França não produziria um povo entusiasta de atividades físicas, “os exercícios do corpo eram considerados como de ordem inferior ou, se o preferem, de uma ordem estranha à mentalidade francesa”, disse.

Então, Lorin e seus colegas viram como estavam errados.  Presenciaram a rapidez com que a “bicyclette” chegou e tomou conta dos corações dos franceses. Do seu surgimento à sua ampla disseminação, a bicicleta não encontrou barreiras nem mesmo de classe social, “(…) todas as crianças, actualmente, pertençam a que classe social pertencerem, usam “bicyclette”(…)”.

Testemunharam não só o despertar da grande paixão francesa, o ciclismo, mas também o crescente interesse da população por outros esportes como, o “foot-ball”, o “golf”, o “tennis”, remo, tiro e outras atividades.

E viram jornais e revistas  forçados a reformular suas seções para dar mais espaço às coberturas esportivas.

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O fascínio pelos esportes comprovava-se através de um simples experimento.


Sociólogo, geógrafo e autor de obras que tratam da ação colonialista francesa no Norte da África, Henri não escreve como mero curioso que depara- se com uma nova moda ou tendência. Pensa no impacto social deste comportamento sobre a França, potência política e militar que, em 1911, estava há poucos anos de entrar no primeiro grande conflito global – a Primeira Guerra Mundial estoura em julho de 1914.

Ele termina o texto perguntando como seria “(…) quando os fedelhos que sonham ser aviadores forem homens e forem chamados a exercer o direito de voto, ou olharão a vida política como uma forma de actividade secundaria e não votarão ou, então, exigirão dos candidatos que falem menos e ajam mais (…).”

Nos últimos 40 anos estudos publicados demonstram as relações existentes entre política e esporte. Hoje estamos mais perto de entender o uso político das competições esportivas e seu impacto sobre as massas.  Em 1911, a pergunta e suposição de Lorin buscavam compreender outro ângulo dessa relação.  Sem dúvida o desejo de ação e um perfil competitivo podem ser encontrados no inconsciente coletivo de uma nação apaixonada por esportes. Transferindo essas características à esfera política, a pergunta é: quando esses mesmos elementos, somados a condições sociais específicas, podem indicar uma vontade de guerra?

Pesquisa  e texto: Lizbeth Batista

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