Fraude no chope: como jogar o nome na lama

Fraude no chope: como jogar o nome na lama

Edmundo Leite

30 Março 2012 | 18h39

A se confirmar a informação de que o tradicional Bar Léo vendia gato por lebre (o gerente foi preso acusado de servir chope de preço e qualidade inferior no lugar do anunciado Brahma), uma instituição paulistana pode sofrer um baque irreversível em sua imagem.

O Léo é um lugar mítico do centro da cidade, embora há muito tenha perdido seu charme original por causa das multidões de bebedores que se aglomoravam nos diminutos espaços em torno do balcão e nas calçadas. Mesmo com preços nada populares e um cardápio restrito e simples, vivia tomado –  durante a semana, prinicipalmente  por comerciantes da região e policiais do vizinho Deic – e nos fins de semana por turistas e paulistanos de todas as regiões que se orgulhavam de estar bebendo “o melhor chope da cidade”.

Explicar para esse público porque uma fraude impensável estaria sendo praticada nas serpentinas embaixo do balcão será um desafio para a sobrevivência do septuagenário boteco.

No fim dos anos 90, uma outra instituição paulistana, na época com 140 anos de existência, conseguiu cometer um suicídio empresarial e jogar sua marca e credibilidade pelo ralo ao fraudar pílulas para tratamento de câncer de próstata. Depois disso, a botica Ao Veado d’Ouro sumiu da lista de orgulhos paulistanos.

O Estado de S.Paulo – 11/10/1994

Jornal da Tarde – 24/9/1998

Pesquisa e Texto: Carlos Eduardo Entini, Edmundo Leite e Rose Saconi
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