Há 50 anos, renúncia de Jânio mudava o curso da história

Há 50 anos, renúncia de Jânio mudava o curso da história

rosesaconi

25 Agosto 2011 | 09h00

 

Alegando que “forças terríveis” o impediam de governar, o presidente Jânio Quadros, anunciou na manhã do dia 25 de agosto de 1961 sua decisão de renunciar ao cargo.

O sucessor do presidente Juscelino Kubitschek ficou apenas sete meses no governo. O que era para ser mais um blefe do político da vassoura ficou conhecido como um dos atos mais misteriosos do cenário nacional. O próprio Jânio jamais apresentou detalhadamente sua versão.  “Peguem qualquer uma das 18 versões e escolham a sua”, dizia ele.


Jânio participou primeiro da comemoração ao Dia do Soldado, defendendo em discurso sua política externa.  Após a solenidade, deixou com o ministro da Justiça a carta de renúncia, com ordem para que a levasse ao Congresso às 15 horas. Em seguida, arrumou as malas e deixou Brasília, já como ex-presidente.  Contra seus cálculos, o Congresso aceitou sua decisão de imediato e nomeou Ranieri Mazzili presidente interino. A ação abriu caminho para uma série de acontecimentos políticos que resultou no golpe militar de 64.

 

 

 

 

31 de janeiro de 1961 – Jânio é empossado.  O presidente inicia uma administração que seria marcada por medidas moralizadoras, proibindo rinhas de briga de galo, lança-perfume em bailes de carnaval e até biquínis em concursos de miss.  Retoma o hábito de se comunicar com ministros por meio de memorandos, os famosos “bilhetinhos de Jânio”.

 

Jânio Quadros foi o maior fenômeno eleitoral do Brasil.  Vereador, deputado estadual, prefeito, governador, deputado federal – afora o Senado, ele galgou todos os cargos eletivos existentes.  Nada por nomeação.  De professor secundário a presidente da República, sua ascensão política demandou apenas 13 anos.  Subiu a rampa do Planalto aos 44 anos.  Saiu pela garagem, por vontade própria, antes de completar 45.

Jânio Quadros acena da janela do carro no dia de sua renúncia. Foto: Domicio Pinheiro/AE

Leia também

Governo JQ foi funesto para o Brasil

Uma gestão movida à base de bilhetinhos

Estudioso vê renúncia de Jânio como ‘pedagógica’

Invasão fracassada de Cuba fortaleceu a relação

 

Pesquisa e Texto: Rose Saconi

Tratamento de imagens: César Augusto Franciolli

Siga o Arquivo Estadão: Twitter@arquivo_estadao e Facebook/arquivoestadao

Mais conteúdo sobre:

1961Jânio Quadros