Há cem anos, as ruas de Champanhe eram tomadas por violentos protestos

Há cem anos, as ruas de Champanhe eram tomadas por violentos protestos

Lizbeth Batista

16 Abril 2011 | 10h23

A crise entre produtores  de uvas e vinícolas, na França , compunha o

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.   em abril de 1911.

Telegramas relatando o agravamento da crise foram publicados constantemente ,na coluna de notícias exteriores do Estado.  Em  16 de abril de 1911, o jornal  publicou uma imagem  da revolta dos vinicultores, mostrando como a violência dos protestos havia tomado as ruas em Champanhe.

Domingo-feira, 16 de abril de 1911

No começo do século XX os produtores de uva da Região de Champagne , na França, sofriam com anos de más colheitas. As densas geadas e as pragas, principalmente como a filoxera,  destruíram grande parte das safras de 1902 à 1910.

Isso levou  as grandes casas produtoras de vinho de Champagne a comprar ,e até mesmo  importar,  uvas de outras regiões.

A utilização de outras uvas não era o problema. O problema estava na falsificação.

Produtores suspeitavam que as vinícolas estavam engarrafando e vendendo a bebida, feita com essas uvas, e rotulando-a como champanhe, descumprindo o decreto de Dezembro de 1908 .

O Decreto, expedido pelo governo francês, além de definir vantagens econômicas para os produtores da região, também determinava que apenas vinhos e espumantes feitos com uvas da Champanhe poderiam levar seu nome.

Em abril de 1911, a agitação cresceu no interior da França.  Agricultores reagiram violentamente. Tomaram as ruas de Champanhe em protesto,  invadiram bodegas e vinícolas, destruindo  inúmeras garrafas,  trazendo altos prejuízos para o comercio da Região.

Só após a intervenção da polícia a calma foi restabelecida. Novos acordos foram negociados, propondo uma nova remarcação da região á qual fora concedido o direito de produzir vinhos e espumantes com o tradicional nome.

Apenas em julho de 1927 as delimitações territoriais dessa região foram estabelecidos.

A lei vigora até hoje. Nem por isso as desavenças foram extintas.

Pesquisa e Texto: Lizbeth Batista
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