Municipal inicia nova fase da vida noturna paulista

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Municipal inicia nova fase da vida noturna paulista

Lizbeth Batista

17 de setembro de 2011 | 09h10

 

 Foto publicada na edição de 12/09/1911

Inaugurado no começo da semana, o Teatro Municipal de São Paulo continuava a despertar grande interesse e curiosidade.

Sertório de Castro, renomado jornalista chefe da sucursal do Estado no Rio de Janeiro, publicava artigo sobre o Municipal.

Sempre tratando da notícia mais comentada em território nacional ou o fato mais candente, sua coluna diária “O que há de novo”, em 17 de setembro de 1911, falava de suas impressões sobre a casa. Apontava como se diferenciava do  Teatro Municipal do Rio de Janeiro e por fim declarava que o novo teatro iniciava uma nova fase na vida noturna paulistana.

 

 Domingo, 17 de setembro de 1911

 

 

O jornalista começava o artigo enaltecendo o espírito do povo paulistano, falando de como os outros viam a gente de São Paulo, “era essa fama que leva a todos os recantos do Brasil e transpõe-lhe a fronteira, indo ao estrangeiro, a affirmação de um povo e de uma terra que constituíram uma civilisação quasi á parte do resto da comunidade e formaram um centro onde a actividade productiva está em febre constante e onde o espírito de iniciativa ganhou proporções dessemelhantes do de todo o resto do paiz.”

Passados dez anos de sua última visita, Sertório contava  como encontrou a cidade em meio à agitação provocada pela inauguração, “revejo São Paulo numa linda manhan de domingo, e esse dia, normalmente morto nas ciades de trabalho intenso na semana, tema qui uma vida surprehendente. Vim encontrar a cidade entregue á ditosa preocupação de um grande acontecimento social. Avizinhava-se a inauguração de sua nova casa de espectaculos e as mulheres tratavam de fazer-se mais bellas pelo atavio da toilette, e os homens tinham de acompanhal-as nos preparativos dessa cara frivolidade. E a pergunta que acudia a todos os lábios era somente uma: ia á inauguração do Municipal? E quando a festa findou não se fazia outra pergunta: foi á inauguração do Municipal? A esta seguia-se uma outra, accessoria: gostou?

Concluía comparando a casa de ópera de São Paulo com a do Rio, criticando a última, declarou que “São Paulo pode-se orgulhar de possuir uma das mais completas e perfeitas casas de espectaculo, e se é verdade que nós não podemos apreciar as coisas que vemos sem a idea de conforto, ahi está o que licitamente se pode dizer: comparado ao theatro Municipal do Rio de Janeiro, que custou mais do triplo, o de São Paulo não fica em situação desvantajosa. E’ muito mais um theatro do que o seu congênere, que em luxo e em esplendor, assemelha-se a um templo oriental. (…)

 

Pesquisa  e texto: Lizbeth Batista

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