O Discurso do Rei, com a palavra George VI

O Discurso do Rei, com a palavra George VI

Lizbeth Batista

28 de fevereiro de 2011 | 01h54

“O discurso do Rei” saiu consagrado do Oscar 2011.  Levou 5 estatuetas, a de melhor filme, roteiro original, diretor e ator.

Colin Firth reviveu nas telas o drama do rei gago que  fez o discurso de declaração de guerra aos nazistas.

Veja a página do Estadão de 1939 com a declaração de guerra e relatos do discurso real:

Alto, dono de penetrantes olhos claros, atlético e um herói de guerra- lutou na maior batalha naval da Primeira Guerra Mundial, a Batalha de Jutlândia,  da qual  a Inglaterra saiu vencedora.

Arquivo Estado

Príncipe Albert Frederick Arthur George conjugava atributos suficientes para projetar a imagem impecável de um soberano, não fosse sua dificuldade em se expressar, o príncipe era gago.

Em outros tempos essa condição não seria um grande problema, mas numa era onde a sociedade experimentava os avanços da comunicação de massa através das ondas do rádio, tal condição era uma maldição.

O filme começa com o constrangedor discurso na Exposição Imperial de 1938, em seguida mostra a busca do príncipe por tratamentos que o ajudassem a superar suas dificuldades com a fala, encontra ajuda e obtem progressos  num tratamento ministrado por um terapeuta nada ortodoxo, Lionel Logue .

A trama tem seqüência com a morte do pai, George V, a crise institucional gerada pelo irmão, Edward VIII ao insistir em realizar um casamento proibido pelas leis da monarquia inglesa, sua relutância em aceitar sua ascensão na linha sucessória ao trono, a renúncia do irmão, sua coroação e o avanço das forças nazistas na Europa. Culminando na Declaração de guerra à Alemanha.

E no discurso transmitido pela BBC para todo o Reino Unido e colônias, em 03 de setembro de 1939.

Pronunciando as palavras lentamente, George VI convoca todos os povos do Império Britânico a “combater um principio que, se prevalecesse, seria fatal à civilização humana, um princípio que permite que um Estado egoísta, aproveitando-se do poder, desrespeite os trados e os compromissos solenes, usando da força ou da ameaça contra a soberania e independência de outros Estados”.

O discurso marcou o início da firme liderança exercida pelo monarca nos difíceis anos do conflito.

Durante a guerra a família real escolheu permanecer em Londres, apesar dos perigos oferecidos pelos ataques aéreos alemães.

Mesmo após o atentado ao Palácio de Baukingham em 13 de setembro 1940, os monarcas não deixaram seus súditos, e como o resto do país, a realeza experimentou a racionalização e as restrições dos tempos de guerra.

O Rei George VI  e a Rainha Elizabeth visitavam as vítimas dos bombardeios, os oficiais das forças inglesas, tanto no país, quanto os combatentes no continente.

A postura dos Windsor durante a Segunda Guerra tornou-os símbolo da resistência nacional inglesa.