O escolhido para ocupar o espaço deixado por Mona Lisa

O escolhido para ocupar o espaço deixado por Mona Lisa

Lizbeth Batista

08 de dezembro de 2011 | 15h20

 

São João Batista, 1513-1516

Pouco mais de três meses de investigação e  nenhuma pista indicava o responsável pelo roubo da Mona Lisa, tão pouco o paradeiro da obra de arte.

Era de se imaginar que a ausência de uma obra tão importante e célebre como a Gioconda faria sentir-se na receita do museu. Mas, graças à curiosidade em torno do caso, o contrário aconteceu. A parede vazia do Louvre, motivo de vergonha para a polícia francesa, tornou-se atração turística. Centenas de visitantes, num admirável exercício forense, aglomeravam-se em frente à parede para admirar a cena do crime.

Sexta-feira, 08 de dezembro de 1911

 

Até que, em dezembro daquele ano, a administração do museu resolveu colocar em seu lugar outra famosa obra de Leonardo da Vinci, assim um sorriso enigmático preencheu o lugar deixado por outro.

A obra escolhida foi São João Batista. Tida como a última pintura de Leonardo da Vinci, a pintura é alvo de inúmeras discussões sobre a expressão no rosto do santo. A interpretação mais conhecida e aceita é que o artista pretendia exaltar a religião cristã, ao pintar São João sorrindo e apontando para o céu, estaria indicando a importância da salvação através do batismo.

O quadro ganha ainda mais complexidade quando evidenciada a intenção do autor de utilizar obras anteriores para compor o conceito desta. O leve sorriso lembra o de Mona Lisa, enquanto o gesto é uma alusão clara a um desenho encontrado em um dos diários do artista.  Conhecido como A Virgem, o Menino, Sant’Ana e São João,  nesta obra o santo é retratado ainda menino ao lado de Jesus, de Maria e de Santa Ana que, no que parece um ato de exegese, aponta igualmente para o céu.

Pesquisa  e texto: Lizbeth Batista

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