Paulistas pediam Carlos Gomes na inauguração do Municipal

Paulistas pediam Carlos Gomes na inauguração do Municipal

Lizbeth Batista

26 Agosto 2011 | 09h03

 

A inauguração do Teatro Municipal era ansiosamente aguardada pela sociedade paulistana. Mas nem todos concordavam com as escolhas feitas para a noite de estreia.

Na sua edição de 26 de agosto de 1911, o jornal trazia o relatório apresentado ao prefeito de São Paulo, Raymundo Duprat, pela comissão encarregada da inauguração do Teatro.  No documento, a comissão buscava esclarecer o motivo de suas escolhas e desfazer mal-entendidos.

Sabbado, 26 de agosto de 1911

Entre as questões suscitadas pelas escolhas feitas para a inauguração a que gerava mais polêmica era a peça escolhida.

Muitos engrossavam o coro pedindo que uma peça nacional fosse executada na abertura.

Todos perguntavam por que “O theatro Municipal de São Paulo vae ser inaugurado com uma opera de Ambroise Thomas, quando temos autores nacionaes como o paulista – Carlos Gomes- á frente.

 

Leia alguns trechos do texto publicado pelo Estado:

"(...)Demais seria impertinente duvidar do patriotismo, do amor á arte
 nacional,de uma commissão de pessoascultas, na qual occupa lugar proeminente o
proprio architecto do Theatro Municipal. Ninguem pode ter maior empenho
em dar o brilho e o caracter de uma festa nacional, ou palo menos, de uma
festa paulista, á inauguração do nosso theatro, do que o illustre architecto
que o concebeu e con­struiu com tanto talento artístico e tão grande escrupulo
administrativo. E nada podia ser mais agradá­vel a esse distincto filho de
Campinas do que ouvir a musica do seu famoso conterrâneo inundar em ondas de
poderosa sonoridade, a bella sala do nosso Municipal, a sua obra prima e o
mais bello monumento da nossa cidade (...)"
"(...) Não se incluiu entre as que deverão ser cantadas uma opera na­cional,
porque a companhia não es­tava preparada para isto; nem os cantores as tinham
nos seus repertorios,nem a empresa possuia os respectivos  scenarios, o que
era natural, porque taes operas não figuram nos repertorios das companhias
que fazem temporadas em outros paizes.E a commissão; nomeada no cor­rer deste
anno, quando já era impossível organisar uma companhia especialmente para o
nosso paiz, não se póde, com justiça, irregar censura por essa comissão.
Entretanto, logo que a fixou programma da temporada, combinado ficou,
em homenagem á arte na­cional, que se désse começo ao espectaculo inicial com
a symphonia do Guarany, a mais popular das operas de Carlos Gomes.
Essa exigencia da commissão foi communicada ao maestro Eduardo Vitale desde
os primeiros dias de julho ulti­mo.(...)"

Pesquisa  e texto: Lizbeth Batista

 

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