Quando bandeiras viram armas

Quando bandeiras viram armas

Edmundo Leite

24 Agosto 2011 | 22h44

A decisão dos deputados paulistas de permitir a volta das bandeiras dos times no meio das torcidas nos jogos disputados em São Paulo é vista por muitos como motivo de festa. As flâmulas tremulando trariam de volta uma beleza perdida do futebol, argumentam.  “A lei é um crédito às torcidas organizadas, que embelezam os estádios paulistas”, declarou o deputado Ênio Tatto (PT), autor do projeto aprovado, atendendo à pressão das torcidas uniformizadas.

O aspecto estético é realmente indiscutível (veja as imagens no final deste post). Mas nunca é demais lembrar o motivo da proibição: uma guerra campal entre torcedores palmeirenses e são-paulinos no Estádio do Pacaembu no nem tão longe 1995. Já se vão 16 anos e talvez alguns não se lembrem: foram mais de 100 feridos e um rapaz de 16 anos  morto após ser agredido covardemente e  passar vários dias em coma.

Alguns lembrarão que não foram mastros de bandeiras, mas sim pedaços de madeira usadas em uma obra, irresponsavelmente deixadas ao alcance das torcidas, as armas da guerra que matou Marcio Gasparin. Mas, por precaução, a Polícia e a Federação Paulista de Futebol resolveram banir das arquibancadas qualquer objeto que pudesse virar uma arma num confronto. As camisetas beligerantes das organizadas também foram vetadas na época.  Que o governador Alckmin reflita bem quando esse projeto cair em sua mesa para sanção ou veto.

21/8/1995

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