Salário mínimo, sempre abaixo do mínimo esperado

Salário mínimo, sempre abaixo do mínimo esperado

Lizbeth Batista

23 de fevereiro de 2011 | 23h10

Desde a sua criação por Getúlio Vargas, nas comemorações do Dia do Trabalho de 1940, o salário mínimo é alvo de  discussões entre governo, oposição, sindicatos e trabalhadores.

A polêmica sempre se derivou de um consenso: o valor do rendimento mínimo nunca foi o suficiente para atender às necessidades básicas dos trabalhadores. O governo até concorda sobre a defasagem, mas desde sempre argumenta que as contas e austeridade fiscal  não permitem  maiores ajustes.

1 de maio de 1940
(clique para ver a página ampliada)

O tom ufanista das páginas publicadas sob o título do Estado sobre a criação do salário mínimo eram resultado da intervenção que o jornal sofrera pouco meses antes.  A direção do jornal ficaria por cinco anos a cargo de um interventor nomeado por Getúlio. O conteúdo desse período não é considerado como jornalismo produzido pela casa.

Veja algumas notícias sobre o salário mínimo ao longo de diferentes governos:

Anos 70, durante a ditadura militar

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Inflação nos anos 70 e unificação em 1984

A década de 80 foi marcada por planos econômicos e suas diferentes políticas salariais. O governo buscava a estabilidade econômica, mas os elevados índices da inflação eram implacáveis.

O Estado de S.Paulo,01 de maio de 1985

Pouca mudança nas décadas de 80 e 90

Os altos percentuais da inflação ainda marcariam o inicio da década de 90, e afetariam o valor do mínimo

À partir de 1994, o salário mínimo obteve maiores ganhos reais, graças a estabilidade econômica alcançada pelo  Plano Real.

O Estado de S.Paulo anos 2000

Ao assumir a presidência em 2003, Lula viu-se  com a difícil tarefa de manter sua promessa de campanha, dobrar o poder de compra do mínimo até o final de seu mandato. Deparando-se com restrições orçamentárias  não conseguiu um maior reajuste o do mínimo no seu primeiro ano de mandato. O aumento real ficou em 1,85% .

A aprovação do mínimo, na Câmara e no Senado, transformou-se numa batalha política, com opositores dizendo que aceitariam o valor proposto pelo governo contanto que o presidente fosse “à televisão reconhecer: eu delirei, fui demagogo”, como exigia o senador Artur Virgílio do PSDB.


O Estado de S.Paulo,2003 e 2004

Em seu segundo mandato, com uma base aliada extensa tanto na Câmara quanto no Senado, o presidente Lula não encontrava grandes dificuldades em ter o valor do mínimo proposto pelo governo aprovado.

Em 2009 foi o presidente do Congresso, José Sarney, quem promulgou o mínimo de R$465,00, pois a MP não sofrera alterações nem na Câmara e nem no Senado.

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Pesquisa: Rose Saconi e Lizbeth Batista
Produção de imagens: José Brito e César Augusto Franciolli

urante a campanha eleitoral de 2002, Lula prometeu dobrar o poder de compra do mínimo durante o seu governo.

Mas logo no início de seu governo, deparou-se com restrições orçamentárias e não conseguiu um maior reajuste o do mínimo no seu primeiro ano de mandato. O aumento real ficou em 1,85%.

A aprovação do mínimo, na Câmara e no Senado, transformou-se numa batalha política, com opositores dizendo que aceitariam o valor proposto pelo governo contanto que o presidente fosse “à televisão reconhecer: eu delirei, fui demagogo”, como exigia o senador Artur Virgílio do PSDB.

Em 2005 a batalha continuava, levando o presidente a acusar os senadores de manobra

Eleitoreira, e declarar: “O que eles querem é apenas o veto. É me colocar em xeque-mate.

Parece uma vingança.”

Em seu segundo mandato, com uma base aliada extensa tanto na Câmara quanto no Senado, o presidente Lula, não encontrava grandes dificuldades em ter o valor do mínimo proposto pelo governo aprovado. Em 2009 foi o presidente do Congresso, José Sarney, quem promulgou o mínimo de R$465,00, pois a MP não sofrera alterações nem na Câmara e nem no Senado.

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