São Paulo vive pedindo água

São Paulo vive pedindo água

Anna Carolina Papp

22 Março 2012 | 09h59

São Paulo sempre viveu em descompasso com o fornecimento de água. Durante mais de 100 anos, 1754 a 1855, os moradores a compravam de pipas ou pegavam em chafarizes. O fornecimento de água parecia que seria resolvido com medidas administrativas.

 

A Província de S. Paulo – 1/1/1876

Em 1881 o serviço foi outorgado à empresa Companhia de Águas e Esgotos. Em 1893 o governo do Estado de São Paulo assumiu a tarefa e criou a RAE, Repartição de Águas e Esgotos.

Independente da forma de gestão, o problema se mostrou estrutural. Com o crescimento populacional acelerado no século 20, da cidade e da região metropolitana, ficou claro que a cidade viveria a indisponibilidade de água por não possuir bacias hidrográficas suficientes para abastecê-la. Cantareira e Guarapiranga, os primeiros sistemas fornecedores de água, haviam se tornado ultrapassados.

 

O Estado de S. Paulo 23/8/1955

A solução foi transpor água de outras bacias, ou seja, importar de outros rios. Nos mesmo moldes que está sendo feita a tão criticada transposição do Rio São Francisco.

A primeira obra de transposição foi decidida depois da grave crise de água que a cidade viveu em meados da década de 20. Foram iniciados os sistemas do Baixo Cotia e do Rio Claro. Esse captaria água do rio com o mesmo nome, e ela seria transportada por meio de aquedutos e adutoras com extensão de 86 km. Obra considerada faraônica na época. A primeira parte da obra foi inaugurada em 1941, 15 anos depois do início.

Obras de ampliação do Sistema Cantareira em 1974 Foto: Reginaldo Manente/AE

Desde então as transposições para abastecer a região metropolitana de São Paulo não pararam, e já chegam a bacias hidrográficas de outros estados. O Sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de cerca de 8 milhões de pessoas, já usa água de rios do sul de Minas Gerais.

O Estado de S. Paulo – 22/6/1969

A normalidade do abastecimento de água que a região vive é só aparência. Em 2009, Dilma Pena, presidente da Sabesp, reconheceu que a região está próxima de uma “escassez hídrica”. “Acabou, não temos mais mananciais. Então nós temos que buscar mananciais de outras bacias, declarou Pena à TV Estado. Assista a entrevista aqui.

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Pesquisa e Texto: Carlos Eduardo Entini 
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