Crianças e jovens de Carapicuíba pedem espaço para continuar atividades do Projeto Arte na Lata
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Crianças e jovens de Carapicuíba pedem espaço para continuar atividades do Projeto Arte na Lata

Sem um local físico, equipamentos musicais ficam na casa de integrantes da banda; para cumprir agenda de apresentações, o grupo faz ensaios na rua ou em garagens

Renata Okumura

25 de setembro de 2017 | 15h00

SÃO PAULO – Jovens de Carapicuíba, na região metropolitana de São Paulo, estão preocupados com a impossibilidade de dar andamento às atividades do Projeto da ONG Arte na Lata.

Além de atuar em Osasco, desde 2011, a entidade atende mais de 600 crianças na região de Carapicuíba, além de ações nas comunidades mais carentes e associações parceiras. “Neste ano, a nova gestão de governo pediu para nos retirarmos do espaço público que tínhamos e hoje nossos equipamentos estão nas casas dos alunos integrantes da banda e estamos ensaiando na rua ou garagens para cumprir nossa agenda que vai até novembro deste ano”, relatou o idealizador do projeto, Jotta Ribeiro.

Projeto Arte na Lata Foto: Divulgação

O grupo precisa fazer os ensaios para cumprir com a agenda de apresentações que ocorrem em diversas cidades brasileiras.

Ribeiro acrescenta que atualmente vai de carro até Carapicuíba e traz as crianças para Osasco, onde realizam os ensaios. Ao todo faz doze viagens de automóvel em duas horas. “Não consigo trazer todas. Apenas algumas. Meu medo é perder o vínculo com elas e acabarem nas drogas. Porque todas são de periferia. As crianças tem entre 7 e 11 anos. Até conseguimos um espaço, mas o aluguel custa R$ 600,00 por mês”, destacou ele.

Rillary Silveira, de 13 anos, defende a continuidade do projeto. “Tem tantos motivos bons para continuar com as atividades. Estamos juntos em todos os momentos”, pediu a jovem.

A iniciativa ajuda a tirar muitos jovens das ruas que encontram na música um entretenimento. “Cultura e educação. A gente utiliza instrumentos alternativos a partir de sucatas. Botijão de gás, chapa de raio x, diversos tipos de tambores e latas, por exemplo. Tudo pode ser utilizado para produzir sons”, relatou ele.

“Quando chega uma pessoa nova a gente ajuda. Não quero que desistam das nossas atividades. Eu e meus amigos sempre estaremos junto com vocês”, reforçou Kethellyn Micaelly, de 11 anos, que participa das atividades.

Acompanhe vídeo divulgado pela ONG Arte na Lata:

A Prefeitura de Carapicuíba esclarece que em 1º de janeiro de 2017 entrou em vigor, para todos os municípios brasileiros, as diretrizes da Lei Federal 13.019/2014 instituindo normas gerais para as parcerias entre a administração pública e organizações da sociedade civil.

Segundo o posicionamento, passou a ser necessário o registro da organização no Conselho Municipal ao qual ele se enquadra (Cultura, Educação, Assistência Social, entre outros). “Para efetivar o registro, a organização deve ter sede em Carapicuíba e a ONG Arte na Lata mantém sua sede no Jardim Piratininga, em Osasco. Dessa forma, foi preciso descontinuar as atividades da ONG em Carapicuíba, pois qualquer atitude diferente não estaria de acordo com a lei”, reforçou a nota.

A atual administração da Prefeitura de Carapicuíba tem promovido eventos culturais no município. Além disso, apoia as atividades de entidades que estão nas conformidades da legislação vigente e realizam trabalho na cidade.

A ONG afirma ser de Osasco, mas desde 2011 também atua nos bairros São Daniel, Cohab 5, São Cristóvão e Vila Marcondes em Carapicuíba, onde mais de 600 jovens são beneficiados pelo projeto.

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