Flanelinhas vendem Zona Azul Digital acima do preço
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Flanelinhas vendem Zona Azul Digital acima do preço

Implantação do sistema eletrônico não coíbe a atuação de vendedores irregulares na região do Brás, no centro de SP

Renata Okumura

27 de junho de 2017 | 05h00

SÃO PAULO – Flanelinhas e também monitores de rua, que representam empresas de postos oficiais, vendem a Zona Azul Digital por preço superior ao oficial na região do Brás, no centro da capital paulista. A reportagem abordou alguns deles e constatou que eles cobram o quanto querem pelo ticket eletrônico. Ambos usam colete laranja com listras cinzas, porém, no oficial consta o símbolo da Zona Azul Digital.

Flanelinhas e monitores de rua cobram ilegalmente valor acima do oficial por hora na Zona Azul (Foto: Renata Okumura)

Na Rua Rodrigues dos Santos com a Rua Henrique Dias, um dos rapazes disse que cobraria R$ 6 a hora. Para quem fosse estacionar na Rua Júlio Ribeiro, o preço da hora seria R$ 7. Na mesma rua, outros vendedores – um deles com o colete oficial – foram mais abusivos e disseram que cobrariam R$ 7 na Zona Azul e R$ 5 onde é permitido estacionar. O valor oficial de R$ 5 a hora na Zona Azul só foi informado por um atendente de uma banca de jornal, localizada na esquina da Rua Oriente com a Rua Rodrigues dos Santos, que é vendedora oficial. Alguns flanelinhas até dizem que são credenciados pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

O comércio do Brás recebe milhares de pessoas diariamente de todas as partes do Brasil. Muitos, porém, não sabem como funciona a cobrança, como é o caso de Leandro Rocha que veio de São Carlos, interior de São Paulo, e reclama da atuação irregular. “Ficamos cinco horas no Brás. Fomos de carro e não encontramos vaga em nenhum estacionamento e decidimos deixar o carro na rua e colocar a Zona Azul. Na primeira vez, eu pedi duas horas e paguei R$ 16. Para mim este era o valor”, desabafou. Quando estava para vencer o horário, Leandro foi renovar a Zona Azul digital e se surpreendeu: “Outro vendedor me disse que duas horas iriam sair por R$ 14. Eu fiquei surpreso e o questionei porque estava cobrando mais barato. Ele me disse que cada pessoa cobra um valor e que isso era normal. Foi aí que reparei o valor de R$ 10 nos tickets impressos. Na terceira vez, eu encontrei uma banca de jornal e o rapaz cobrou o valor correto de R$ 5 por hora. Eu acho isso um absurdo, pois é um lugar muito frequentado por turistas que não imaginam que estão sendo roubados”, lamentou.

Comprovante de Zona Azul Digital (Foto: Leitor)

A mudança do talão para a Zona Azul Digital ocorreu oficialmente em novembro do ano passado. Porém, alguns meses antes, em junho, o cartão eletrônico começou a funcionar junto com a opção manual. Desta forma, os motoristas devem baixar o aplicativo pelo celular ou podem comprar o ticket digital em pontos credenciados. Mas, quando não conseguem localizar um estabelecimento oficial, eles compram dos flanelinhas.

Nem mesmo a mudança no sistema impediu as cobranças ilegais. Simone Ferreira também foi vítima do abuso e afirmou ainda que os vendedores usam máquinas credenciadas. “A pessoa que vendeu usava um colete oficial e tinha uma máquina igual ao de cartão de crédito. Cobram de R$ 6 a 9 a hora, quando na verdade o valor deveria ser R$ 5”, reclamou.

Banca de jornal cadastrada como vendedora oficial de Zona Azul Digital (Foto: Renata Okumura)

A CET informa que tem realizado ações em conjunto com a Guarda Civil Metropolitana (GCM) para coibir a prática abusiva de preço da Zona Azul. “A companhia também realiza vistorias periódicas em todos os locais de Pontos de Venda do Cartão Azul Digital (CAD) cadastrados no município de São Paulo. A denúncia recebida é designada a uma equipe de fiscalização para verificar as irregularidades. Quando constatada alguma anormalidade, a empresa sofre sanção que pode gerar o descredenciamento”, reforçou a nota.

Entre outubro do ano passado e junho deste ano, foram registradas 45 ocorrências de irregularidades em toda a cidade, sendo aplicadas 22 advertências e 13 bloqueios de equipamentos.

A CET recomenda que o motorista procure adquirir os cartões com antecedência, seja por meio dos aplicativos das 14 empresas ou por meio dos Pontos de Venda oficiais (PDVs).

Embora a reportagem tenha encontrado preços abusivos, os monitores de rua com coletes oficiais também estão autorizados a fazer a venda do ticket eletrônico, porém, pelo valor correto da hora.

Atualmente, existem 2.035 postos oficiais de venda de Zona Azul Digital distribuídos por todas as regiões da cidade. A relação completa com a listagem está disponível no site da companhia.

Caso o usuário encontre alguma irregularidade pode fazer a denúncia pelo telefone 1188 ou pelo site www.cetsp.com.br. A CET também esclarece que os motoristas que tiverem problemas com flanelinhas podem acionar a Polícia Militar (PM) pelo 190.

Para coibir o abuso, a companhia realiza aos fins de semana ações de conscientização sobre o funcionamento da Zona Azul Digital. No sábado, 24, a CET esteve no Parque do Ibirapuera, na zona sul da cidade.

Região da 25 de Março. A leitora Elenice Andrighetto relata situação semelhante no centro comercial da Rua 25 de Março. “É feita a alteração da hora da Zona Azul Digital na Rua 25 de Março, com apoio de uma banca de revistas que tem a maquininha”, destacou.

Quer compartilhar alguma reclamação em seu bairro? Mande seu relato por WhatsApp (11) 9-7069-8639 ou para o email blitzestadao@estadao.com.

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