Leitores pedem mais atenção da Prefeitura aos moradores de rua
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Leitores pedem mais atenção da Prefeitura aos moradores de rua

Consumo de drogas e insegurança preocupam munícipes na Vila Mariana e na região da Avenida Paulista

Ludimila Honorato

12 Setembro 2018 | 14h39

Moradores da Vila Mariana e da região da Avenida Paulista relataram à Blitz Estadão a preocupação com as pessoas em situação de rua nesses locais. O consumo de drogas e a falta de segurança são as principais queixas.

Eliana Demasi Garcia lamenta pelos moradores de rua “que infelizmente vivem em péssimas condições” na Rua Vergueiro, entre as estações Vila Mariana e Ana Rosa do metrô. Ela conta que eles fazem abrigos no canteiro central da via e afirma que já entrou em contato com a Prefeitura Regional da Vila Mariana. “Recebi como resposta que não encontraram ninguém”, diz.

“A avenida tem grande movimento e as crianças brincam próximo às guias enquanto seus pais bebem cerveja. O mato está alto e à noite os bandidos aproveitam. Já fui assaltada no semáforo desse lugar e o bandido fez contagem regressiva enquanto dávamos os bens materiais, correndo o risco de ele atirar antes que pegássemos todo o dinheiro, joias e celular”, relata Eliana. “Sei que vivemos em uma época de muitos desempregos, mas não acho certo pessoas construindo casebres em praças públicas”, diz.

Rua Vergueiro, próximo ao metrô Vila Mariana. Foto: Google Street View/Reprodução

Em nota à reportagem, a Prefeitura Regional Vila Mariana informou que realiza ações de zeladoria na extensão da Rua Vergueiro, com a retirada de resíduos volumosos e entulho, duas vezes por semana e varrição diária. A administração regional destaca que faz o corte de grama bimestralmente no local.

“Sobre os moradores em situação de rua, a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) informa que há um cronograma de trabalho na região da Rua Vergueiro, que consiste em abordagens com escuta qualificada e encaminhamento para serviços da rede socioassistencial”, completou a nota. Segundo a secretaria, os moradores de rua não são obrigados a aceitar o acolhimento e há muita rotatividade de pessoas no ponto indicado pela leitora.

“As equipes capacitadas do Serviço Especializado de Abordagem Social (SEAS) seguirão mantendo a vigilância socioassistencial no local, visando a aproximação, construção e fortalecimento de vínculos, além de atendimentos sociais, orientações e encaminhamentos”, informa a nota.

A SMADS afirma ainda que, em parceria com a Rede Cidadã, disponibiliza para a população em situação de rua um curso de capacitação por meio do programa Trabalho Novo. O objetivo é a “inserção no mercado de trabalho, promover mudança de vida e o resgate da cidadania”. Segundo a secretaria, até 16 de agosto, 2.154 contratações foram feitas por meio da iniciativa, que conta com 95 empresas contratantes.

Sobre a segurança no local citado por Eliana, a Polícia Militar diz que, por meio da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado de São Paulo, prendeu em flagrante, no mês de julho, quatro pessoas por furto na região. Segundo a SSP, o policiamento no local é realizado por policiais da 2ª Companhia do 11º BPM/M por meio dos programas de radiopatrulhamento, Força Tática, Ronda Escolar, Rondas Ostensivas Com Apoio de Motocicletas (Rocam) e Policiamento Comunitário.

“No primeiro semestre, as ações integradas das polícias Civil e Militar na área do 36º DP (Vila Mariana) resultaram na queda de 6,93% dos roubos, em comparação ao mesmo período do ano passado. Também foram presas 50 pessoas e duas armas de fogo ilegais retiradas das ruas”, diz a SSP.

Paulista. O morador Mário Luiz Lúcio reclama de uma “Cracolândia” instalada sob viadutos que compõem a interligação entre as avenidas Paulista, Angélica, Dr. Arnaldo, Rebouças e Rua da Consolação. Em agosto, ele disse que o número de usuários nos locais havia aumentado. “Eles se juntam em pequenos barracos sob o viaduto que liga a Paulista com a Dr. Arnaldo e consomem drogas”, relata.

A SMADS afirma que, regularmente, envia equipes de orientadores socioeducativos do Serviço Especializado de Abordagem Social para abordar pessoas em situação de rua e oferecer acolhimento nos equipamentos sociais.

“A equipe do SEAS Bela Vista/Consolação faz vistorias no local e tem encontrado 20 pessoas, onde anteriormente já chegou a ter 60 pessoas. Por causa da intensa abordagem das equipes, houve acompanhamentos para regularização de documentos e encaminhamentos para saúde”, diz a secretaria em nota.

Trecho sob a Avenida Paulista que liga à Avenida Doutor Arnaldo. Foto: Google Street View/Reprodução

No entanto, apesar dos esforços, o órgão ressalta que não pode obrigar as pessoas em situação de rua a aceitar o acolhimento. “As equipes de zeladoria urbana realizam limpeza constantemente no local, recolhendo os materiais em desuso descartados, como colchões, cobertores, roupas e lixo domésticos”.

Segundo a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), a região citada também é assistida por equipe do Consultório na Rua (CnR) da Unidade Básica de Saúde Nossa Senhora do Brasil, na Bela Vista, em parceria com a UBS Magaldi.

“A equipe acompanha os usuários e fornece atendimentos na área da saúde com médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, assistente social, psicólogo, agentes sociais e de saúde. Não foram identificados usuários residentes neste local, apenas frequentadores”, disse a SMS. O órgão disse que, após às 17 horas, as equipes do CnR e da UBS não conseguem se aproximar para realizar atendimento, pois há um aumento significativo de pessoas em situação de consumo de substâncias ilícitas.

Sobre a segurança no local, a SSP informa que no dia 18 de agosto policiais do 78º DP prenderam um homem em flagrante por tráfico de drogas na Avenida Paulista, próximo ao viaduto Okuhara Koei, com o qual foram encontradas e apreendidas 72 pedras de crack. Em 17 de julho, outro suspeito foi detido na avenida pela posse de porções de maconha. A nota afirma, ainda, que “as polícias apoiam as ações de saúde e assistência social aos usuários de entorpecentes realizadas pela Prefeitura”.

Segundo a secretaria, o Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (DENARC), em conjunto com a Polícia Militar e a 1ª Seccional (centro), realizam periodicamente operações para combater a criminalidade e o tráfico de drogas nos endereços mencionados pelo morador Mário Luiz Lúcio. “A Polícia Militar realiza policiamento ostensivo e preventivo por meio de planejamento estratégico, da análise dos índices criminais e do emprego do seu efetivo, por meio de bases comunitárias móveis, Rocam e Força Tática”.

A SSP diz que, no primeiro semestre do ano, as ações policiais nas áreas do 4º, 77º e 78º DPs levaram à queda de 6,6% dos roubos em geral, em comparação ao mesmo período do ano passado. Nesse período, 734 pessoas foram presas e 19 armas de fogo ilegais retiradas das ruas.

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