Moradores cobram ações sociais na região da Avenida Paulista
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Moradores cobram ações sociais na região da Avenida Paulista

Lixo e entulho também tiram a tranquilidade de quem vive na Bela Vista

Renata Okumura

05 Março 2018 | 11h41

SÃO PAULO – Moradores e comerciantes relatam que é cada vez maior o número de barracas de moradores de rua na Praça Oswaldo Cruz, que fica entre a Avenida Paulista e a Rua 13 de Maio, na região do Paraíso.

“Alguns moradores de rua, infelizmente, abusam da má condição para abordar as pessoas, principalmente mulheres, de forma até mesmo agressiva. Não há tranquilidade para quem mora e trabalha na região. Na Praça José Molina, que fica no trevo entre as avenidas Paulista, Angélica e Consolação, o consumo de crack a céu aberto é assustador. Além disso, ambulantes tomam as calçadas na região”, relatou o morador Mário Luiz.

Na região da Bela Vista, moradores também reclamam constantemente da presença de entulho em canteiros de escadarias e também vias e calçadas do bairro. “Queria reclamar da sujeira e da falta de varrição a apenas 500 metros da Câmara Municipal. As ruas São Domingos, Conselheiro Ramalho, Coronel Diogo e Santo Antônio estão sempre imundas”, destacou Alice Queiróz.

Lixo ocupa calçada na Bela Vista Foto: Moradora Alice Queiróz

Em nota, a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social informa que realiza trabalho de abordagem e oferecimento de acolhimento na região da Avenida Paulista, com duas equipes especializadas, todos os dias da semana. A pasta ressalta que a adesão para os centros de acolhida é facultativa.

A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) esclarece que a região citada é assistida por equipe de Consultório na Rua (CnR) da Bela Vista, que acompanha os usuários e fornece atendimentos na área da saúde com médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, assistente social, psicólogo, agentes sociais e de saúde. Em dezembro, a equipe CnR da Bela Vista estava com 582 pessoas cadastradas e realizou uma média de 390 atendimentos por semana.

A prefeitura reforça que as ações de zeladoria são executadas regularmente em todas as regiões. Sobre a Praça Oswaldo Cruz, a Prefeitura Regional Sé informa que realiza diariamente a limpeza, inclusive com lavagem. A remoção de objetos abandonados no local são recolhidos por equipes que fazem o serviço duas vezes ao dia.

Sobre a presença de ambulantes na Avenida Paulista, a prefeitura ressalta que há legislação específica para apresentação de artistas de rua e para artesãos. As ações de fiscalização para coibir os ambulantes irregulares são diárias com uma média de cerca de 70 apreensões de produtos irregulares.

Com relação à limpeza, na Bela Vista, a Prefeitura Regional Sé informa que a limpeza das vias citadas é realizada três vezes ao dia.

“O descarte irregular de lixo e entulho é crime ambiental passível de multa em mais de R$ 18 mil, conforme previsto em lei. É importante ressaltar que a população tem à disposição o aplicativo Limpa Já Entulho, que também permite ao munícipe acompanhar os dias de coleta seletiva e realizar denúncias de descarte entulho. Denúncias podem ser feitas pelos canais do 156 da Prefeitura”, acrescentou a nota.

O morador de rua André e a cachorrinha Xuxa Foto: Renata Okumura

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Há doze anos, André, que preferiu não divulgar o sobrenome e a idade, enfrenta o rigoroso inverno na cidade de São Paulo. “A gente usa cobertores para montar a barraca e assim entra menos vento. A gente tem travesseiros e colchão. Tem um sofá que ajuda a fazer a barraca”, descreveu.

Pelo menos, mais cinco pessoas e dois cachorros, Pantera e Xuxa, moram com o André embaixo da passarela do metrô Tatuapé, na zona leste da cidade. Ao lado das barracas improvisadas e presas com algumas caixas de plástico, tem o colchão dos animais e também vasilhas para ração e água. “Elas comem bem. Ganham de moradores. Os cachorros são nossos verdadeiros amigos. A Xuxa está há dez anos comigo”, afirmou.

Quer compartilhar alguma reclamação em seu bairro? Mande seu relato por WhatsApp (11) 9-7069-8639 ou para o email blitzestadao@estadao.com.

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