Moradores da zona leste cobram responsabilidade de donos de cães abandonados na rua
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Moradores da zona leste cobram responsabilidade de donos de cães abandonados na rua

Amarelo, como ficou conhecido por funcionários de um supermercado, foi deixado bem debilitado com suspeita de cinomose pelos proprietários no estacionamento da loja localizada na Avenida Nordestina; iniciou tratamento, mas não resistiu à doença

Renata Okumura

18 de abril de 2019 | 08h00

SÃO PAULO – No dia 16 de março, um cachorro de médio porte apareceu no estacionamento de um supermercado na Avenida Nordestina, na Vila Americana, na zona leste da capital paulista.

Em razão da cor de seus pelos, ficou conhecido como Amarelo. Ganhou uma casinha, comida, água, cobertores e muito carinho. Funcionários do Assaí Atacadista e moradores da região se comoveram com sua história: foi abandonado debilitado pelos donos.

Amarelo foi abandonado por seus donos. Foto: Shirley Cassiane de Freitas/ Redes sociais

“Ele apareceu no estacionamento da loja no dia 16 de março. Inicialmente, achamos que tivesse se perdido, mas depois constatamos que ele havia sido abandonado porque ele estava bem debilitado e com suas patinhas machucadas”, relatou Shirley Cassiane de Freitas, funcionária do supermercado.

Amarelo foi encaminhado ao veterinário porque estava com suspeita de cinomose, doença muito grave, contagiosa e, muitas vezes, fatal que afeta cachorros e gatos. Tomou banho e iniciou o tratamento antes mesmo da confirmação presente no resultado do exame, mas não apresentou melhora. O quadro já estava avançado e ele faleceu.

Amarelo iniciou tratamento, mas não resistiu. Foto: Shirley Cassiane de Freitas/ Redes sociais

“A doença foi confirmada, não conseguiu se recuperar e precisou ser sacrificado no dia 12 de abril, quase um mês depois, para evitar mais sofrimento”, disse a funcionária do supermercado.

Alguns resgates terminam com histórias felizes, outros não, mas vale a pena fazer o registro diante do descaso de muitos donos de animais. “Nos últimos dias de vida, porém, foi muito amado pelas pessoas que o acolheram. Mas, infelizmente, alguns animais não conseguem sobreviver ao descaso de seus donos que são capazes que abandoná-los quando estão debilitados e mais precisam de apoio”, criticou dona Cida, moradora da região.

Aposentada, ela costura há décadas e usa todo o dinheiro que recebe em prol dos animais abandonados. Ela ajuda a cuidar deles e encontrar novos donos. Ela agiliza castração e transporte, sempre que necessário. Também tem muitos cães em casa que adotou. São seus grandes companheiros. Moradores cobram mais fiscalização e punição mais rigorosa para combater maus-tratos de animais.

Moradores da zona leste buscam abrigo para animais abandonados ou vítimas de maus-tratos

Indignados com o aumento de animais domésticos abandonados, sendo que alguns deles são vítimas de maus-tratos, moradores do Parque Residencial D’Abril, na zona leste, uniram-se para oferecer abrigo e tratamento médico. Eles fazem até “campanhas” em busca de auxílio e de um novo lar para os animais. Muitos atuam efetivamente como protetores de animais.

Lei. Segundo a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente, o abuso ou maus-tratos de animais é considerado crime ambiental, conforme determina a Lei nº 9.605/98, sujeito à detenção de três meses a um ano, além de multa.

Em 2018 foram apreendidos 49.527 animais silvestres e domésticos no Estado de São Paulo e aplicadas 13.784 multas; já em 2017, foram emitidas 12.510 penalidades e 34.454 animais apreendidos.

Vale lembrar que existe um serviço de defesa de cães e gatos. Os moradores de 39 municípios da Grande São Paulo e da capital paulista podem fazer denúncias pelo telefone 0800 600 6428. Antes, as denúncias eram feitas pelo telefone 190 da Polícia Militar.

Em casos de maus-tratos, o animal será acolhido pelo Resgate PET que fará os primeiros atendimentos médicos veterinários e o levará a um abrigo. Assim que conseguirem ter a saúde restabelecida e com autorização judicial, os pets poderão encontrar uma nova família por meio das feiras de adoção.

Quer compartilhar alguma reclamação em seu bairro? Mande seu relato por WhatsApp (11) 9-7069-8639 ou para o email blitzestadao@estadao.com.

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