Moradores denunciam bota-fora em Itapecerica da Serra
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Moradores denunciam bota-fora em Itapecerica da Serra

Uma obra está sendo realizada na rodovia Prefeito Bento Rotger Domingues; alvará municipal autoriza a movimentação interna em propriedade, desde que sejam informadas a origem do material terroso e a empresa responsável pela realização do transporte

Renata Okumura

17 de julho de 2019 | 12h08

Foto: Divulgada pela Associação Ecológica Preservar Itapecerica da Serra

SÃO PAULO – Moradores do bairro Jardim das Palmeiras em Itapecerica da Serra, na região metropolitana de São Paulo, denunciam um ‘bota-fora’, nome como é conhecido ponto de descarte de entulho. Geralmente, resíduos são descartados irregularmente por empresas e também moradores.

“Está em andamento um projeto de um gigantesco bota-fora na rodovia Prefeito Bento Rotger Domingues, em Itapecerica da Serra, próximo ao Condomínio Petrópolis. Com autorização da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), responsável pelo licenciamento, e da Prefeitura de Itapecerica da Serra, trata-se de um aterro de 61 mil m2 que pretende movimentar três milhões de metros cúbicos de terra e gerar o tráfego de 250 mil viagens de caminhões, em um período de quatro anos”, disse a presidente da Associação Ecológica Preservar Itapecerica da Serra, Adriana Abelhão.

Foto: Divulgada pela Associação Ecológica Preservar Itapecerica da Serra

A presidente da Associação Ecológica Preservar Itapecerica da Serra afirma que os moradores temem que estejam usando um projeto de centro de esportes e eventos como fachada para ocultar a utilização como aterro e bota-fora. A pedido dos moradores, o engenheiro responsável pela obra foi até a associação no dia 31 de maio para apresentar o projeto.

“Quando questionado pelos moradores sobre a viabilidade econômica da iniciativa, pois durante o período de implantação de quatro anos, o clube ficaria sem atividades e sem renda, ele disse apenas que aceitava sugestões dos moradores para a implantação do projeto em outra área. Fica claro para a população que se trata efetivamente de um aterro, bota-fora, com um projeto de clube de fachada, pois segundo a lei de zoneamento, são permitidos empreendimentos ligados a esporte, turismo e lazer, mas proibidos aterros ou lixões.

Foto: Divulgada pela Associação Ecológica Preservar Itapecerica da Serra

O vale abrange uma área de preservação permanente, com cursos d’água e nascentes, onde, segundo relato da moradora Célia Regina Panzardi, transitam animais como o veado mateiro, o gambá de orelha preta e o quati. Foi, inclusive, aberta uma via para acesso ao local.

Os munícipes também questionam a destruição de mananciais e habitat de diversos animais silvestres. Além disso, o trânsito intenso de caminhões também traz riscos à população.

“O material será despejado na pista, o que pode provocar derrapagens e mais acidentes. Moradores estão preocupados com a poluição sonora e do ar advindos desta atividade. Não houve qualquer aviso aos moradores sobre os horários desta circulação que afetará a vida de todos que acessam a rua Canarinho e que transitam pela rodovia Prefeito Bento Rotger Domingues”, ressaltou Adriana Abelhão.

Foto: Divulgada pela Associação Ecológica Preservar Itapecerica da Serra

Duas representações ao Promotor de Meio Ambiente de Itapecerica da Serra forma feitas em nome da Sociedade Ecológica Preservar Itapecerica da Serra e da Associação Residencial Jardim Petrópolis, questionando o empreendimento e pedindo providências.

POSICIONAMENTO

A Prefeitura de Itapecerica da Serra, por meio da Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente (SPMA), informa que a obra citada está sendo realizada na rodovia Prefeito Bento Rotger Domingues, matrícula nº 20.737, na rua Canarinho, 65.

“A SPMA esclarece que a intervenção no local foi aprovada por meio de alvará metropolitano nº 721007/2019 da Cetesb, expedido em 28 de março. O município expediu alvará municipal GTLA nº 637/19, nos termos do alvará metropolitano, em 17 de maio”, destacou a nota.

Segundo a pasta, o alvará municipal autoriza a movimentação interna na propriedade, desde de que informadas a origem do material terroso e a empresa responsável pelo transporte da mesma, que deverá seguir as normas de segurança vigentes.

A secretaria ressalta que se trata de área particular, conforme descrito na matrícula nº 120.737.

Quanto a reunião de moradores, a SPMA esclarece que os moradores tiveram uma reunião com o secretário Fábio Cravo Roxo em 25 de junho.

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