Moradores voltam a reclamar da proliferação de mosquitos na zona oeste
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Moradores voltam a reclamar da proliferação de mosquitos na zona oeste

Há dois meses, Prefeitura iniciou força-tarefa com ações para combater focos do mosquito nas margens do Rio Pinheiros

Ludimila Honorato

04 Outubro 2018 | 17h44

Moradores da zona oeste de São Paulo voltaram a se queixar de pernilongos dois meses após a Prefeitura implantar esforços no combate ao mosquito nas margens do Rio Pinheiros. As ações começaram depois que o órgão detectou aumento de queixas – foram 440 em julho, ante 200 no mesmo período do ano passado.

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A agente de viagem Gisela Hoeppner, de 51 anos, relatou ao Estado as dificuldades que enfrenta em casa. Ela diz já ter colocado redes em várias janelas e testado todas as marcas de inseticida. “É verdadeiro que a Prefeitura fez uma ação em agosto, que diminuiu muito a quantidade dos pernilongos, porém foi temporário. Eles voltaram a atacar com força total”, diz Gisela, que procurou a Blitz Estadão para reforçar a situação e o pedido de ajuda.

Pernilongos voltaram a perturbar moradores na região do Rio Pinheiros. Foto: Nilton Fukuda/Estadão

“Moro no mesmo endereço há mais de 30 anos e nunca houve uma proliferação tão grande como nos últimos seis anos. Devemos cobrar da Prefeitura uma ação constante contra esses insetos, não apenas pontual como foi o caso”, afirma a agente de viagem.

A produtora de fotos Marcia Asnis Weber, de 54 anos, mora no Itaim Bibi e diz usar diversos artifícios para tentar combater os mosquitos em casa. “Chega no fim da tarde, sento no sofá com a raquete na mão, todos os dias. Uso spray, ligo ventilador de teto na sala, ligo ar condicionado no quarto. Tem de fechar a casa às 16 horas”, relata, pontuando que o “ataque” dos pernilongos começam uma hora depois.

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Marcia afirma que já fez duas reclamações junto à Prefeitura. Na primeira, conta, dois fiscais comparecem em seu prédio e fiscalizaram a parte de baixo e, na segunda, informaram que precisariam de 60 dias para resolver. “Eles vieram e procuraram focos de dengue, mas de que adianta também vir em uma hora que não tem pernilongo? Tem de ver à noite”, diz. “Você não consegue ficar bem na sua própria casa, é um desconforto”.

Outra moradora que começa a fechar as janelas de casa no fim da tarde é a professora Maria Angélica Leite, de 51 anos. Ainda assim, ela afirma que não tem jeito. “Entra pernilongo pelo elevador, tem na garagem (que fica no subsolo) também e na recepção”, diz. Por ser alérgica a aerossol, ela tenta amenizar a situação passando repelente. Ela afirma que o problema sempre existiu, mas piorou nos últimos dez anos.

Cerca de 40% do esgoto produzido na bacia do Pinheiros não é tratada. Foto: Felipe Rau/Estadão

A maioria das pessoas ouvidas pela Blitz concordam que a quantidade de mosquitos diminuiu no começo de agosto, após a ação da Prefeitura, mas a empresária Consuelo Tramujas, de 52 anos, faz uma observação sobre a época do ano. “Em agosto, o clima é mais frio. É difícil saber o quanto disso foi resultado da ação ou se foi uma combinação com o clima, porque a gente percebe mais quando está calor”, afirma.

Consuelo afirma que o problema persiste, mesmo com o uso de inseticidas elétricos. “Às vezes, de manhã, tem pernilongo dentro do guarda-roupa, saem quatro de uma vez”, relata. “Vou dedetizar a casa de novo, mas é paliativo, dura uma semana”.

Combate. Questionada sobre a possibilidade de estudar uma ação constante na região, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informa, por meio da Prefeitura, que “as ações relacionadas ao controle, monitoramento de focos e combate à proliferação de pernilongos (culex) ocorrem diariamente em toda a extensão do Rio Pinheiros, juntamente com as ações de remoção de vegetação aquática, roçagem de vegetação marginal e retirada de lixo que são executadas em parceria com a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE)”.

O órgão diz ainda que na semana de 24 a 27 de setembro foram realizadas atividades de monitoramento em 67 pontos do Rio Pinheiros, com coleta de larvas e mosquitos adultos, e que as ações seriam retomadas entre a segunda-feira, 1º e sexta, 5.

Segundo a nota da Prefeitura, a Vigilância Ambiental da Lapa e Pinheiros informa que nos dias 1, 2 e 3 de outubro foi realizado o “controle de alados através de tratamento espacial por meio da utilização de equipamento pesado Ultra Baixo Volume (UBV) na região do Itaim Bibi. Este tratamento dependerá das condições climáticas e ocorrerá a partir das 17 horas”.

De acordo com a SMS, o Rio Pinheiros conta com 67 pontos de monitoramento e está sob constante controle. “Até o presente momento, não há evidências de explosões demográficas de mosquitos na região”, disse em nota.

A Prefeitura ressalta, porém, que além dos trabalhos realizados pelos órgãos, “o apoio da população é fundamental para evitar a proliferação de pernilongos, não deixando água parada e não jogando lixo em córregos, bueiros e valetas”.

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