Mudanças de nomes de estações do Metrô de SP ainda geram debate entre passageiros

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Mudanças de nomes de estações do Metrô de SP ainda geram debate entre passageiros

Metrô de São Paulo informa que as alterações têm origem em Projetos de Lei do Legislativo; custo financeiro é de R$ 1 milhão

Renata Okumura

10 de maio de 2019 | 17h08

Estação Japão-Liberdade. Foto: Renata Okumura

SÃO PAULO – No ano passado, duas estações do Metrô de São Paulo tiveram alterações nos nomes a pedido de Projetos de Lei do Legislativo. A alteração ainda surpreende passageiros que utilizam o transporte público.

Ao chegar na estação Japão-Liberdade, da Linha 1 – Azul, antigamente chamada apenas de Liberdade, a aposentada Ana Faria observou a mudança na sinalização.

“Acho que deve ser homenagem à comunidade japonesa, mas será que não gasta muito para mudar o nome? Tantos investimentos que poderiam ser feitos para melhorar o transporte. Evitar atrasos. Já atrasei até para ir ao médico porque o Metrô estava funcionando com velocidade reduzida”, destacou Faria.

No dia 24 de julho de 2018, o decreto nº 63.604 foi assinado pelo então governador Márcio França e publicado no Diário Oficial.

Na época houve críticas à mudança por excluir descendentes de outros povos que vivem na região, como coreanos e chineses. Além disso, a alteração também foi discutida por ignorar outros períodos da história do bairro, como, por exemplo, quando foi abrigo de escravos e ex-escravos no século 19. Os primeiros japoneses chegaram ao bairro da Liberdade em 1912, fixando-se na Rua Conde de Sarzedas, de acordo com informação da Prefeitura de São Paulo.

A estação da linha azul foi inaugurada em 17 de fevereiro de 1975 e está localizada na região central, no bairro da Liberdade.

“Acho importante a homenagem à comunidade japonesa, mas hoje o bairro também reúne outras culturas”, observou a estudante Fernanda Donizetti.

Em 14 de dezembro do ano passado, a estação Patriarca da Linha 3 – Vermelha também teve o nome alterado e passou a se chamar Patriarca-Vila Ré pela lei nº 16.872.

Estação Patriarca-Vila Ré. Foto: Renata Okumura

O projeto de lei nº 1399, de 2015, do deputado José Zico Prado (PT), deu origem à mudança, que se tornou lei, após ser promulgada pelo presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), Cauê Macris.

A estação da zona leste de São Paulo foi inaugurada no dia 17 de setembro de 1988.

O Metrô de São Paulo informa que as alterações de nomes de estações têm sua origem em Projetos de Lei do Legislativo. “Cada projeto tem motivação específica”.

Com relação ao custo financeiro para a companhia, reforma que o custo estimado com cada mudança de nome gira em torno de R$ 1 milhão.

“Quando o projeto se torna Lei, a mudança no nome da estação-objeto exige a substituição de mapas, totens de acessos, placas-testeiras nos acessos, placas da estação e placas na via. Os mapas nas demais estações da rede e os mapas existentes nos trens também são substituídos por outros atualizados. Para o Metrô, estas substituições e mais os serviços de limpeza dos substratos e mão-de-obra para instalação dos novos equipamentos e peças gráficas tem um custo estimado de R$ 1 milhão”, esclareceu a nota.

O arquiteto Fábio Mendonça afirma que fica confuso com as nomenclaturas criadas.

“Fico imaginando quais critérios foram usados. Moro próximo à estação Carrão do metrô, na zona leste. Acontece que o bairro do Carrão está a quilômetros da mesma. A estação se encontra no bairro do Tatuapé, aliás muito mais adentro do bairro do que a própria estação de nome Tatuapé, logo deveria se chamar Tatuapé ou, seguindo o critério adotado para as últimas renomeações, Tatuapé-Carrão. É constrangedor e muito chato as confusões criadas decorrentes disso”, avaliou.

Sinalização dentro do vagão do Metrô. Foto: Renata Okumura

Em ambas as estações, as mudanças foram realizadas nas sinalizações. No entanto, dentro de alguns vagões ainda permanecem somente os antigos nomes.

Veja os decretos:

Decretos. Foto: Divulgação no Diário Oficial

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