Pais cobram melhorias em áreas infantis do Parque da Aclimação

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Pais cobram melhorias em áreas infantis do Parque da Aclimação

Espaços foram interditados há mais de um ano por contaminação causada por fezes de gatos que transitam pelas áreas; lazer ao ar livre depende de ações de zeladoria, fiscalização e conscientização

Renata Okumura

19 de junho de 2019 | 16h00

Foto: Movimento Mães e Pais da Aclimação

SÃO PAULO – Brincar na areia e ao ar livre. Este é o pedido do Movimento Mães e Pais da Aclimação. Segundo a entidade, há mais de um ano, a falta de manutenção dos parquinhos de areia do Parque da Aclimação, no centro da capital paulista, impede o uso dessas áreas pelas crianças.

A jornalista Paula Chrispiniano, de 47 anos, é mãe do Raul, de 8 anos, e do Vicente, de 3 anos. Ela lembra que em 2016 houve a suspensão dos contratos de vigilância e manejo e o abandono de animais explodiu. Por isso, os tanquinhos de areia começaram a apresentar fezes e urina de animais. “Eu comecei a notar esse cenário quando meu segundo filho tinha 2 anos. Foi aí que o problema começou e foi detectada a contaminação dos parquinhos pela prefeitura. Essa combinação entre a falta de manutenção fixa com a superpopulação de gatos”, reforçou ela.

Foto: Movimento Mães e Pais da Aclimação

No dia 20 de agosto de 2018, foi divulgado pela prefeitura um laudo técnico que atestou a possibilidade de transmissão de uma série de doenças como a Toxocaríase, a Síndrome de Larva Migrans Cutânea, a Ascaridíase e a Dermatofitose Cutânea. Segundo a administração municipal, o laudo foi necessário pelo ‘grande número de gatos domésticos residentes que costumam acessar essas áreas para transitar e realizar suas necessidades fisiológicas’.

O estudo foi feito após solicitação do Conselho Gestor do Parque da Aclimação e, após o resultado que constatou a contaminação, as três áreas infantis do Parque da Aclimação foram interditadas em setembro de 2018.

Ainda de acordo com o Movimento Mães e Pais da Aclimação, em março deste ano, o recanto do Saci foi reaberto, mas sem as melhorias necessárias. Os pais também criticam a solução encontrada que é a retirada da areia e colocação de piso emborrachado nos parquinhos.

“Desde o fechamento, os frequentadores, o Conselho Gestor e a Secretaria do Verde debatem soluções e havia chegado a um consenso: fazer a manutenção da marcenaria e pintura dos brinquedos, a limpeza dos tanques de areia com cobertura de lona durante a noite, afastar os bichos das áreas infantis e um projeto de controle e redução das colônias de gatos do parque. Esse projeto estava começando a ser implantado quando foi interrompido no carnaval. Um parquinho foi reaberto em condições precárias para ‘acalmar’ os frequentadores. Além disso, a administradora do parque, que era sensível as reivindicações das mães e pais, foi afastada. E o diálogo, interrompido. Criamos um abaixo-assinado pela reabertura adequada dos parquinhos, que conta hoje com quase 1,2 mil assinaturas de mães e pais do bairro. Uma reforma que ‘emborracha’ os parquinhos, retira os tanques de areia, não prevê manutenção alguma e não foca na redução do foco da contaminação”, explicou Paula Chrispiniano.

Foto: Movimento Mães e Pais da Aclimação

A arquiteta Cibele Alvares Gardin, de 47 anos, é mãe do Francisco, de 9 anos, e do Gabriel, de 2 anos. Eles sempre frequentaram o parquinho.

Para ela, as melhorias dependem de um trabalho diário de conscientização. “As ações de melhorias dos espaços públicos, a educação e o respeito ao patrimônio deveriam ser o tripé norteador da relação entre o poder público e a comunidade”, disse.

Em reunião no dia 21 de maio, o Conselho Gestor deliberou, após repetidas manifestações por parte da prefeitura sobre sua incapacidade de garantir manutenção adequada do Parque da Aclimação, acionar o Ministério Público, para que se exija imediatas providências com relação ao patrimônio público, ao meio ambiente e à saúde pública.

O advogado Erikson Eloi Salomoni, de 40 anos, é pai do Guilherme, hoje com 20 anos, e do João César, de 2 anos e 6 meses.

“Meu primeiro filho aproveitou o parquinho quando era criança. Já o pequeno João César só conseguiu brincar no local pouquíssimas vezes, pois logo veio a interdição. A revitalização e as melhorias dos parquinhos são necessárias para voltar a proporcionar às crianças, com segurança, o lazer ao ar livre, o contato com a natureza e a integração com outras famílias”, ressaltou ele.

Lista de reivindicações para que efetivamente os pais tenham um parquinho limpo e pensado para as crianças:

  • Reabertura dos parquinhos de forma adequada, ou seja, cumprindo alguns pré-requisitos a seguir, que não constam no projeto da Prefeitura;
  • Manter os tanques de areia no projeto de reforma dos Parquinhos (podendo ser cercados);
  • Plano urgente para a redução da população de animais abandonados do Parque, através de doação e/ou gatis fora do parque, com controle rígido e permanente dos resultados;
  • Criação de uma equipe fixa de manutenção que dê conta de todas as demandas do parque;
  • Que qualquer intervenção no Parque respeite o seu tombamento preservando a memória e o patrimônio histórico desse importante espaço público da cidade.

POSICIONAMENTO

A Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) informa que foram feitas análises da areia pela Divisão de Vigilância em Zoonoses da Secretaria Municipal da Saúde, a pedido da SVMA. Os laudos constataram a presença de parasitas, o que resultou na interdição de três espaços.

Posteriormente, uma das áreas foi descontaminada e reaberta, para atender de forma parcial à demanda do público frequentador.

Também foram indicadas a troca dos brinquedos e a substituição da areia por material emborrachado, que é especificado para áreas de atividade infantil.

Foto: Movimento Mães e Pais da Aclimação

Informações complementares

Historicamente, os parques infantis foram criados a partir de tanques de areia, com o objetivo de reduzir eventuais impactos após queda da criança de algum brinquedo. A solução oferecia uma excelente relação custo-benefício.

“Atualmente, a realidade dos parques públicos esbarra em um problema sócio-ambiental recorrente: os animais que frequentam os espaços, tanto em guias quanto soltos, que contaminam os tanques com fezes e urina. Cabe destacar que contaminação se dá pelos pets abandonados e também por aqueles trazidos pelos frequentadores, os quais frequentemente compartilham do espaço infantil sem que os donos os vigiem”, destacou a nota.

A secretaria reforça que estudou com o Conselho Gestor do Parque formas alternativas de manter a areia, inclusive cercando os espaços com tela para impedir o acesso dos animais, porém, “essa solução não foi aceita. Só então, a secretaria partiu para o projeto que prevê o novo piso emborrachado”, completou o posicionamento.

Os pais, no entanto, contestam essa alternativa. Para eles, o correto é manter a areia no parquinho e investir na manutenção, fiscalização e conscientização.

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