Rachas e ‘pancadões’ perturbam moradores da zona oeste de São Paulo
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Rachas e ‘pancadões’ perturbam moradores da zona oeste de São Paulo

Barulho se intensifica no Itaim Bibi devido à presença de altos prédios; no Butantã, baile funk dura até de manhã

Ludimila Honorato

28 Agosto 2018 | 18h23

Moradores da zona oeste da capital paulista têm se queixado de falta de sossego. Segundo relatos, além da poluição sonora rotineira das principais ruas movimentadas da região, barulhos extras incomodam durante a noite e madrugada. Alberto Gosson Jorge Junior mora na esquina da Avenida Horácio Lafer com a Avenida Faria Lima, no Itaim Bibi, e afirma que todo esse ruído é prejudicial para uma boa qualidade de vida.

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“Como se não bastasse o tráfego de veículos intenso durante a semana, com expressiva poluição sonora e prejuízo da qualidade do ar, nos fins de semana, quando nós, moradores, desejamos um relativo silêncio após uma semana de trabalho, somos contemplados com carros e motocicletas praticando rachas ou abrindo os escapamentos de seus possantes veículos, fazendo um barulho ensurdecedor”, relata o morador.

Para ele, o barulho se intensifica devido à concentração de prédios na região, o que faz o ambiente se transformar em uma espécie de “caixa de ressonância”, como descreve. “O problema já é constatado há tempos e não se verifica qualquer preocupação dos órgãos públicos responsáveis para debelar essa situação”, diz Junior.

Cruzamento das avenidas Horácio Lafer e Faria Lima, no Itaim Bibi. Foto: Google Street View/Reprodução

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Por meio da Secretaria da Segurança Pública (SSP) do Estado de São Paulo, a Polícia Militar – órgão ao qual compete a verificação de rachas – informou que, “com base na informação do leitor, o patrulhamento já realizado no local será intensificado” e indicou o telefone 190 para comunicar qualquer irregularidade desse tipo.

A corporação disse, ainda, que, no 1º trimestre deste ano, atendeu a dois chamados relacionados à perturbação do sossego “envolvendo o funcionamento de estabelecimentos comerciais na região citada”. E completou que, neste ano, “as ações integradas das polícias resultaram na prisão de 59 pessoas, além de sete veículos recuperados e nove armas de fogo apreendidas na região do 15º DP (Itaim Bibi), responsável pela área”.

‘Pancadões’. No Butantã, uma moradora que não quis se identificar afirma que a polícia não atende aos chamados quando bailes invadem a Rua Egberto da Silva Mafra, na Vila Domingos, durante a madrugada. “Tem um ‘pancadão’ na região que ninguém mais aguenta e a polícia nada faz. Tem uma comunidade próxima do nosso bairro que faz baile funk direto. A gente liga para a polícia a noite inteira e eles não vêm”, relata.

O barulho, segundo ela, começa à meia-noite e se prolonga até as 8 horas da manhã. “Os moradores do meu condomínio já não sabem o que fazer com tamanha impunidade. É revoltante”, diz. A Prefeitura Regional Butantã informou, após questionamento da reportagem, que “tem feito ações fiscalizatórias emitindo multas e desfazendo comércios irregulares, e que realizará uma ação conjunta com a Guarda Civil Metropolitana no local”.

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Também no Butantã, a moradora Daisy Murad, de 72 anos, reclama de um ‘pancadão’ na esquina da Avenida Vital Brasil, 397, com a Rua Santa Rosa Jr. Segundo ela, a movimentação conta com a colaboração do estabelecimento Lanchonete Vital, situada no local. O evento foi promovido há duas semanas, “na segunda e terça-feira, das 19h30 à 1 hora, sem que nada os detivesse”, conta.

“Os jovens estavam bêbados e drogados, fechando a rua, onde ninguém transitava, perturbando a ordem pública. É um bairro residencial, com vários prédios ao redor, com pessoas idosas, crianças e cidadãos de bem que acordam às 6 horas para trabalhar”, relata Daisy.

A moradora diz que, na delegacia, lhe informaram que nada poderiam fazer, e depois ligou para a Prefeitura, onde foi informada de que levariam 60 dias para autuar. A Prefeitura Regional do Butantã disse, em nota, que o estabelecimento citado por Daisy está localizado em Zona Mista, onde é permitido uso comercial e residencial.

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“Esclarecemos que este bar tem o amparo da Lei municipal número 12.879 de 13/07/1999, que estabelece o regime de horário de funcionamento dos bares da cidade até 1 hora da manhã, horário relatado. A Prefeitura Regional fará uma vistoria para apurar possíveis irregularidades. Em relação ao fechamento de ruas e som automotivo, somente os órgãos de segurança pública podem intervir e tem esta atribuição. O munícipe também pode registrar ocorrência através do 156, pelo site ou aplicativo”, completou a nota.

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