Gisele Bündchen causa frisson na Marquês de Sapucaí

Estadão

07 Março 2011 | 07h41

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Alexandre Rodrigues, de O Estado de S.Paulo

RIO – Uma das presenças mais aguardadas no sambódromo do Rio para o desfile de domingo, a modelo Gisele Bündchen, como sambista foi uma boa operária. Confirmando as expectativas, atraiu todas as atenções no camarote da revista Caras e brilhou no último carro da Vila Isabel, embora muitos espectadores tenham demorado a reconhecê-la na avenida.

Na chegada ao camarote, às 23h20, acompanhada do marido, o astro do futebol americano Tom Brady, a modelo conversou com o Estado sobre a expectativa do desfile. Acostumada às passarelas da moda, ela se disse nervosa com a estreia na do samba. “É maravilhoso estar aqui, é uma energia. Meu coração está a mil. Nem está na hora de entrar na passarela ainda e eu já estou nervosa. Fora a expectativa, porque eu nunca desfilei, então não tenho ideia”, afirmou. Ela contou que conversou com o marido antes sobre como seria o espetáculo. “Acho que ele vai adorar.”

Apesar dos sorrisos e da descontração, Gisele e Brady estavam na Sapucaí a trabalho, segundo deixavam claro as roupas que os transformaram em outdoors ambulantes. Garota propaganda da Pantene, a top vestia uma camiseta com a marca de xampus da Procter & Gamble que patrocina o enredo da Vila sobre cabelos, concebido pela carnavalesca Rosa Magalhães. A multinacional resolveu aproveitar a companhia de Brady e cravou uma camiseta com logos garrafais de sua marca de produtos de higiene bucal Oral B no corpo atlético do rapaz.

Escova de dente tem a ver com carnaval? A diretora de marketing do patrocinador, Danielle Panissa, tenta explicar: “Ligar a marca à maior festa popular nos conecta ao povo brasileiro. E ligar ao Brady, que é um ícone de alta performance como atleta, também é bom…” O valor dos cachês? “Ah, isso não dá para contar…” Apesar das obrigações comerciais que a levaram à Sapucaí, não dá para dizer que Gisele não foi espontânea. Ao chegar ao camarote em meio ao desfile da Imperatriz, parou para tirar fotos com um grupo de garis. A top permaneceu por cerca de 25 minutos numa frisa, bem perto da pista, incentivando os passistas e esticando-se para acenar para o povão nas arquibancadas. Já com as outras celebridades do camarote, não trocou sequer um olhar.

Ela recebeu apenas os pais, três irmãs, cunhadas e outros poucos amigos num cercadinho dentro de outra área reservada para vips como Glória Pires, Beth Lago e João Bosco. Na área maior, onde estavam os convidados menos ilustres, as mulheres suspiravam por Brady, que ganhava beijos apaixonados de Gisele de vez em quando, apesar da onipresença dos fotógrafos.

O atleta americano foi abraçado da frisa pelo jogador Ronaldinho Gaúcho, que desfilava pela Portela. A família Bündchen consumiu muita caipirinha e champanhe, mas a top só ficou na água de coco e beliscou canapés de salmão e caviar.  Pouco antes do fim do desfile da Imperatriz, a top deixou a frisa para se preparar para o desfile da Vila num espaço reservado dentro do camarote. Ressurgiu na concentração pouco depois das 3h num vestido dourado bem curto, que a obrigava a uma puxadinha para baixo de vez em quando durante todo o desfile no último carro da escola, representando a “Vênus do século 21.”

Com a expectativa pela subida de Gisele no último carro da Vila, as coadjuvantes da alegoria não queriam fazer feio. Na armação, caprichavam na maquiagem. “Só soube na semana passada que iria no carro com a Gisele. Pensei: Agora é que eu vou ter de malhar mais!”, contou a enfermeira Rafaela Félix, de 29 anos, enquanto se preparava para subir no carro. “A gente tenta ficar mais bonita, só não vai dar para competir na altura, né?”

Gisele acompanhou toda a passagem da escola na entrada da Sapucaí, até ser conduzida por uma grande escada até assumir seu posto de rainha no carro. Aplaudida pelas outras ocupantes da alegoria, gritou para elas: “Vamos lá, gente!” Sem plumas, a fantasia leve tinha apenas uma tiara na cabeça que lhe deixava os cabelos soltos, como convinha ao enredo e, principalmente, ao patrocinador. Gisele – que pareceu preocupada quando começou a chover fino, o que poderia prejudicar o penteado – foi observada do camarote pelo marido, que parecia hipnotizado ao mirar, com um leve e permanente sorriso, a aparição dourada da mulher à frente de um telão colorido. Ladeada pelas irmãs Rafaela e Gabriela, ela mostrou que treinou direitinho o samba  e cantou o tempo todo com a escola. Mas não arriscou uma sambadinha. Gisele, como sambista, mostrou-se uma boa profissional.

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