Desfile da Salgueiro se transforma no grande drama da noite

Estadão

07 Março 2011 | 23h00

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RIO – O Salgueiro entrou na Marques de Sapucaí com um desfile perfeito, mas a apresentação da vermelho e branco se transformou no grande drama da noite.  Problemas com carros alegóricos  fizeram a escola perder um ponto por ter estourado o tempo regulamentar em 10 minutos. O desespero da diretoria foi tanto que até a própria presidente do Salgueiro, Regina Celi, tirou os sapatos de salto alto para ajudar a agilizar a retirada dos carros na dispersão.

O carnavalesco Renato Lage, responsável por um show luxuoso e criativo, chegou ao final do desfile cabisbaixo, admitindo que o atraso tirou o Salgueiro da briga pelo Carnaval 2011. “É uma pena. Acho que agora vai ser difícil”, lamentou. Segundo Lage, o problema aconteceu pela “ansiedade” dos auxiliares, responsáveis pelo deslocamento dos carros alegóricos.  O salgueiro teve dificuldades para colocar na avenida três carros e o problema mais grave aconteceu no último, que representava a principal premiação do cinema mundial: o Oscar.

A sucessão de problemas levou a escola a segurar o passo para não abrir grandes buracos ao longo da passarela do samba.  A bateria comandada pelo mestre Marcão nem chegou a parar no recuo.  Os  ritmistas fantasiados de oficiais do Bope chegaram a dispersão chorando, arrasados com o drama protagonizado pela escola, que entrou com chances reais de garantir o campeonato.

No final, as alas deixaram de sambar e apenas corriam para a dispersão. O drama da escola ofuscou uma  apresentação luxuosa e criativa, que teve como um dos pontos altos uma referência a Madame Satã, um dos filmes brasileiros mais famosos.   Com fantasias bem acabadas e grandes carros, o Salgueiro buscou retratar o Rio de janeiro como palco de um filme. Lage chegou até usar em seu carro abre-alas cadeiras usadas na rede Severiano Ribeiro em Brasília para dar um toque verídico a magia do cinema.

A bateria também fez sucesso com seus ritmistas vestidos com o uniforme do Bope, lembrando o filme Tropa de Elite.

(Mônica Ciarelli)


Confira o samba-enredo da Salgueiro:


Salgueiro
Apresenta o Rio no cinema
Já não há mais lugar pra nos ver na Passarela
Cada um é um astro que entra em cena
No maior espetáculo da tela
A Cinelândia reencontrar
A luz se apaga acende a vida
Projeta sonhos na Avenida
A Terra em Transe mostrou visão singular
E o tesouro de Atlântida
Foi abraçado pelo mar

Onde está? Diz aí
Carlota Joaquina veio descobrir
Na busca o bonde da Lapa Madame Satã
Pequena Notável requebra até de manhã

Em um simples instante
Orfeu vence as dores em som dissonante
E as cordas do seu violão
Silenciam para o amanhecer
Brilha o sol de um dia de verão
Salta aos olhos outra dimensão
Revoada risca o céu e faz
Amigos alados canto de paz
Maneiro deu a louca em Copacabana
Vi beijo do Homem na Mulher Aranha
E o “King-Kong” no Relógio da Central
Meu Salgueiro o “Oscar” sempre é da Academia
Toca o “bip-bop” furiosa bateria
Aqui tudo acaba em carnaval

O cenário é perfeito
De braços abertos sobre a Guanabara
O filme mostrou maravilhosa chanchada
Sob a direção do Redentor.

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