No Rio, obras do sambódromo ficam prontas em cima da hora

Estadão

19 Fevereiro 2012 | 15h42

Texto atualizado às 19h55

Glauber Gonçalves/RIO
Mariana Durão/RIO

Correndo contra o tempo: foi desta maneira que a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (LIESA) concluiu as obras do sambódromo carioca, poucas horas antes do início do desfile das escolas do grupo Especial do Rio de Janeiro. O Estado visitou o local pouco depois do meio-dia de domingo e constatou que as frisas do setor dois estavam completamente sem cadeiras e sem grades de divisão. No sábado, foliões que compraram ingressos para o local acabaram sendo realocados para o setor 11, na parte final do sambódromo, porque as cadeiras não tinham sido instaladas.

No inicio da tarde, algumas frisas dos setores quatro e dez também não estavam concluídas. Na área destinada ao recuo das baterias, uma rampa de madeira ainda estava sendo montada. Segundo um funcionário que regulava o acesso ao sambódromo, os operários começaram a trabalhar pouco depois das 6h, depois que o último carro da Acadêmicos do Cubango deixou o sambódromo, encerrando o desfile das escolas do grupo de acesso. A menos de três horas do início do desfile do Grupo Especial, porém, o trabalho foi concluído.

Pela manhã, caminhões chegavam com os materiais para montar as estruturas. Enquanto cerca de 20 trabalhadores colocavam o revestimento do piso das frisas do setor dois, dezenas de cadeiras podiam ser vistas empilhadas na passarela e as grades de divisão permaneciam amontoadas. Sob sol forte, o movimento de funcionários da prefeitura e o som das batidas dos martelos eram intensos.

No sambódromo, o presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), Jorge Castanheira, acompanhava as obras de perto. Otimista, ele disse esperar que a estrutura esteja pronta até o início dos desfiles deste domingo.

“Se Deus quiser, estará tudo em ordem”, disse quando o Estado perguntou se os foliões que compraram ingresso para as frisas do setor dois teriam seus lugares garantidos. “Estamos terminando, obviamente dentro do cronograma apertado deste ano, porque tivemos toda essa parte de obra civil e de montagem duplicada”, acrescentou.

A escritora Rachel Valença, de 69 anos, foi uma das vítimas das obras inacabadas na Sapucaí no sábado. Ele contou que, acompanhada de outras 35 pessoas, optou pelo setor 2 por ser mais próximo da concentração do Império Serrano, escola pela qual desfilaram. O grupo acabou realocado por funcionários da Riotur na fila C do setor 11, porque as frisas não tinham nem o piso pronto.

“Com quase 70 anos tive que atravessar o sambódromo correndo e ainda atravessar a pista, já que nos colocaram do lado ímpar. Me senti lesada”, disse. Rachel pagou R$ 1.500 por uma frisa na fila A e acabou na fila C. Ela calcula que ao menos outras 50 pessoas enfrentaram o problema só no setor 2. “Estamos apreensivos porque também compramos frisas no setor 10 para amanhã (hoje, segunda-feira)”.

A Prefeitura informou que a responsabilidade pela montagem das estruturas na Marquês de Sapucaí é da Liesa. O prefeito Eduardo Paes informou, por meio de sua assessoria, que não daria declarações à imprensa antes das 21h, quando chegaria ao sambódromo para os desfiles.

No último dia 13, Paes, reinaugurou com pompa o sambódromo, ainda inacabado. O arquiteto Oscar Niemeyer, idealizador do projeto, esteve presente na reinauguração. A estrutura passou por uma obra que ampliou em 12.500 o número de lugares na Sapucaí, com custo total de R$ 30 milhões bancados pela AmBev. Procurada, a empresa afirmou que as obras que ficaram sob sua responsabilidade foram entregues na data da inauguração. Colaborou Alessandra Saraiva.