Dragões da Real abre o segundo dia de desfiles em São Paulo

Estadão

18 Fevereiro 2012 | 19h49

 Rodrigo Brancatelli

De Lula a Hans Staden, de Caetano Veloso a Jorge Amado, o segundo dia de desfiles de São Paulo vai marcar a disputa de sete escolas que colecionam 11 títulos juntas, com enredos que cobrem desde personalidades e cidades até livros, movimentos musicais e partes do corpo. Ao todo, somando as sete agremiações, serão utilizados 1.400 quilos de plumas, 2.100 metros de rendas e mais de 27.500 integrantes para tentar empolgar o público no sambódromo paulistano.

Dragões da Real – Com a responsabilidade de abrir, às 22h30, o segundo dia de desfiles e ainda impressionar o Anhembi logo na sua estreia no Grupo Especial do carnaval de São Paulo, a Dragões é uma ansiedade só. Nem o presidente da escola nem o carnavalesco quiseram conversar com a imprensa durante a semana, tudo para resolver os últimos detalhes do seu enredo Mãe, ventre da vida e essência do amor.

Tudo está sendo pensado para emocionar o público, como o carro abre-alas, um dos maiores do carnaval paulistano deste ano, que trará três esculturas com quase 55 metros de altura simbolizando a natureza. Em outro carro, mães da Sé desfilarão com fotografias dos seus filhos desaparecidos, enquanto uma outra alegoria vai reproduzir uma partida de futebol, referência às injustiçadas mães de juízes.

Pérola Negra – Logo em seguida, às 23h35, a Pérola Negra homenageará Itanhaém, segunda cidade mais antiga do País, que completa 480 anos de fundação neste ano. Segundo o carnavalesco André Machado, que ajudou a desenvolver o enredo A Pedra Que Canta Também Samba, Itanhaém Hoje A Pérola É Você, a escola da Vila Madalena vai falar sobre índios tupinambás, portugueses e padres jesuítas. Outro personagem homenageado será Hans Staden, cujo navio naufragou no litoral paulista em 1550.

“Ele foi capturado pelos índios e alimentado por oito meses para ser devorado”, conta Machado. No carro que conta a história do intelectual, toda a madeira normalmente utilizada para confecção do veículo foi trocada por bambu.

Mocidade Alegre – Quase 2 mil quilômetros separam a Itanhaém da Pérola Negra da Salvador de Jorge Amado, que será homenageado pela Mocidade Alegre, a terceira escola a desfilar no sambódromo, à 0h40. Para falar do centenário do escritor e ainda tentar montar um desfile inovador, a escola deixou de lado a biografia de Jorge Amado para focar o seu enredo totalmente no livro Tenda dos Milagres, de 1969.

Como se fosse produzir um filme na avenida, a Mocidade chamou diversos atores para viver os personagens da trama e investiu em alegorias rebuscadas para reproduzir uma Salvador da primeira metade do século passado – Pedro Archanjo, o herói da história, será vivido por Nil Marcondes; Cássio Scapin vai interpretar um senhor de engenho.

Águia de Ouro – A temática cinematográfica continua no desfile da Águia de Ouro, à 1h45, que vai falar sobre a Tropicália. O cineasta Fernando Meirelles, de Cidade de Deus e O Jardineiro Fiel, será uma das estrelas e desfilará em cima de uma grua instalada no quarto carro alegórico da escola – de onde gravará o desfile, que será projetado ao vivo em uma tela montada no mesmo carro. Celebridades não devem faltar no desfile da escola, que promete ainda trazer Caetano Veloso, Tony Tornado, Cauby Peixoto e Ângela Maria.

Outro destaque será a comissão de frente, uma mistura de elementos da Bahia e dos EUA – terá até um “voo”, que está sendo mantido sob segredo. A ditadura também será lembrada – uma escultura vai homenagear Vladimir Herzog, um símbolo das vítimas da repressão.

Unidos de Vila Maria – Quinta escola na avenida, a Unidos de Vila Maria vai falar, às 2h50, sobre as mãos, com um enredo que trata da criação divina ao artesanato, das novas tecnologias às artes plásticas. O grande destaque da escola deve ser o abre-alas, batizado de “A vida é um sopro do criador numa atitude repleta de amor”, um verso de Gonzaguinha. Ele traz duas alegorias acopladas, com 18 anjos.

Outro ponto alto deve ser um carro que representará o poder das mãos nas comunidades virtuais. Segundo o carnavalesco Chico Spinosa, um telão na terceira alegoria vai responder em tempo real mensagens enviadas pelo Twitter.

Gaviões da Fiel – A expectativa do dia, no entanto, ficará para o desfile da Gaviões. Por volta das 4h, a escola apresentará Luiz Inácio Lula da Silva como o “filho fiel que não foge à luta”, um enredo que trata do ex-presidente como síntese do brasileiro que vence na vida. Ainda é incerto se Lula aparecerá no desfile, mas diversas celebridades vão ajudar a contar a sua história – como Fabio Assunção, que será o motorista que levou Lula à cerimônia de posse, em 2003, no Rolls-Royce da Presidência.

Segundo o carnavalesco Igor Carneiro, outro destaque será um carro com as figuras de um dragão e de um anjo, que rodam entre eles – um representa a ditadura e outro, a democracia.

Tom Maior – A responsabilidade de fechar os desfiles do Grupo Especial de São Paulo vai ficar com a Tom Maior, às 5h, que pretende lembrar a esperança com o enredo Paz na Terra e aos homens de Boa Vontade. A temática é bem ampla – a escola do bairro do Sumaré vai falar de Gandhi a crimes de colarinho branco.

O carro preferido dos integrantes será o quarto a entrar, batizado de “Enfim, nossa comunidade está em paz”. Nele, será mostrada uma favela e até uma Unidade de Polícia Pacificadora.

 

Veja a ordem do segundo dia de desfiles no sambódromo do Anhembi:

22h30 – Dragões da Real
23h35 – Pérola Negra
0h40 – Mocidade Alegre
1h45 – Águia de Ouro
2h50 – Unidos de Vila Maria
3h55 – Gaviões da Fiel
5h – Tom Maior

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