Público chega ao sambódromo do Rio e não encontra frisas

Estadão

18 Fevereiro 2012 | 22h31

Roberta Pennafort, do Rio de Janeiro

 

Marquês de Sapucaí durante os preparativos para o carnaval nesta sexta-feira, 17 – Foto: Wilton Junior/AE

Quem chegou esta noite às frisas do setor dois do sambódromo do Rio, para ver as escolas do grupo de Acesso A, não teve onde se sentar. As cadeiras não haviam sido instaladas. O setor fica na área recém-construída pela Prefeitura para aumentar a capacidade de público em 20% e finalizar o projeto original do arquiteto Oscar Niemeyer (aos 104 anos, levado pela Prefeitura, ele reinaugurou o sambódromo há uma semana). 

O público, que pagou R$ 172 pelo lugar, privilegiado por estar no começo da avenida, foi remanejado para o setor onze. A revolta é generalizada.

Procurada pelo Estado pelo telefone, a Riotur não deu informações sobre o problema. O representante comercial João Tostes, de 54 anos, que foi com a família, está indignado. “Chegamos ao setor dois, me pediram desculpas e disseram que não ficou pronto. Trouxeram a gente para o setor onze e acabou”, contou Tostes, que frequenta a Sapucaí desde sua abertura, em 1984, e vai voltar amanhã e segunda-feira, os dois dias de desfiles do Grupo Especial. “É uma falta de respeito. Nunca imaginei que não ficaria pronto. O prefeito falou que daria tempo.”

O principal motivo de indignação de quem comprou para o dois e ficou no onze é a visibilidade que se tem das escolas – no dois, acompanha-se de perto o início dos desfiles; já o onze é o último setor. Outro inconveniente é a distância do metrô: no lado par, a estação Praça Onze é próxima; no ímpar, é preciso andar até a estação Central, mais distante.

Na sexta-feira, dia da abertura do carnaval, com as escolas mirins, Antônio Pedro Figueira de Melo, presidente da Riotur, garantiu que tudo estaria finalizado hoje. “Hoje (sexta-feira) não é dia de frisa, para amanhã vai estar tudo pronto”, disse, por volta das 18 horas. Calmo e sorridente, ele comparou ainda a obra do sambódromo à preparação das escolas de samba para os desfiles. “Só termina quando começa o desfile”.

Minutos antes de as escolas mirins entrarem na avenida, operários tentavam desembarcar na avenida cadeiras de frisas, que chegavam em caminhões. O trabalho teve de ser interrompido às 17 horas, quando um grupo de representantes de velhas guardas de várias escolas começaram a se apresentar, abrindo para as crianças. Em alguns setores, nem o ferro que demarca as frisas havia sido instalado; em outros, as cadeiras já estavam lá, mas ainda empilhadas, para ainda serem instaladas. Hoje, o setor dez ainda tinha cadeiras empilhadas.

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