1ª escola de samba da cidade surgiu na Pompeia

Estadão

08 Fevereiro 2013 | 06h51

No princípio eram os blocos, que a cada ano cresciam mais, assim como a paixão do brasileiro pela festa de fevereiro. Para organizar a farra, um cordão veio isolar o grupo de foliões que passaram a sintonizar suas fantasias em torno de um tema. E desses primeiros grupos de fantasiados começavam a nascer as escolas de samba.

Em São Paulo, os bairros operários no centro e na zona oeste podem ser considerados o berço das primeiras agremiações. Na Pompeia, surgiu a primeira – a Escola de Samba Primeira de São Paulo, que se diferenciava das demais organizações por honrar sua denominação: só tocava samba, enquanto as outras tocavam marchinhas, polcas e até valsa.

Levando as cores vermelha, preta e branca, cerca de 30 pessoas desfilaram pela Primeira na Praça do Patriarca, em 31 de dezembro de 1935. Em 8 de dezembro daquele ano, o Estado informava sobre os preparativos para “um grande desfile nas ruas, formado por clubs carnavalescos, cordões, blocos e escolas de samba”. O carnaval seguinte prometia.

Em 1937, foi a vez de o Brás fundar sua agremiação, a mais antiga agremiação em atividade – a Sociedade Recreativa Beneficente Escola de Samba Lavapés. Outros bairros, também na década de 1930, renderam-se ao samba e ao apelo lúdico das fantasias. Na Bela Vista nasceu a Vai-Vai; na Barra Funda, a Camisa Verde e Branco.

O carnaval paulistano começava a ganhar traços históricos das transformações sociais. Ficava no passado o tradicional corso da Paulista, febre da década de 1910 até os anos 1920, com refinados carros decorados, onde famílias da aristocracia cafeeira brincavam enquanto o povo assistia ao desfile das calçadas. A década de 1930 abriu alas para a festa da população operária, imigrante, negra, que por meio do samba desfilou a nova identidade paulistana.

 

Liz Batista, O Estado de S. Paulo

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