Tatuapé faz desfile correto, sem brilhos ou erros

Estadão

08 Fevereiro 2013 | 22h41

A Acadêmicos do Tatuapé cumpriu com competência, mas sem grandes brilhos, a tarefa de levar à avenida a história da sambista Beth Carvalho. Os grandes sucessos, os amigos sambistas e as paixões da cantora carioca estiveram presentes no desfile, que teve um desenrolar sem problemas, embora a escola tenha usado todos os 65 minutos a que tinha direito. Só faltou mesmo a homenageada, que foi proibida de desfilar pelos médicos porque ainda se recupera de uma cirurgia na coluna a que se submete no ano passado.

[galeria id=5790]

A comissão de frente, formada por integrantes vestidos como o personagem Zé Carioca, lembrou que a sambista é um símbolo do Rio de Janeiro. O grande carro abre-alas trouxe um tatu – mascote da escola – dourado. O animal também foi o tema da fantasia da bateria da escola da zona leste de São Paulo.

O samba esteve presente em todos os momentos no desfile, especialmente pela ligação da cantora com a Mangueira e com o bloco Cacique de Ramos, berço de grandes compositores lançados por Beth Carvalho. Nomes como Arlindo Cruz, Almir Guineto, Jorge Aragão e Zeca Pagodinho apareceram em vários adereços ao longo do desfile. Uma ala homenageou ainda a escola paulistana Vai-Vai. Além do samba, o futebol também foi citado, devido à ligação de Beth com o Botafogo.

+ Ouça os enredos das escolas de SP
+ Confira a ordem dos desfiles de São Paulo
+ ESPECIAL: saiba tudo sobre o Carnaval 2013

Um dos carros lembrou que a música de Beth já foi até para o espaço. Nos anos 90, a música Coisinha do Pai, de Jorge Aragão – um dos compositores lançados por Beth -, foi usado pela Nasa para “acordar” o jipe-robô que explorava o solo de Marte.

O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Diego e Jussara, estavam muito emocionados por representar as cores azul e branco da Acadêmicos do Tatuapé porque sonhavam há muito tempo em estrear no Grupo Especial. Eles se conheceram como casal mirim de mestre-sala e porta-bandeira e desde então sonhavam desfilar o estandarte em um grupo de elite do carnaval.

1_bandeira_helvio_romero.jpg

O presidente da escola, Roberto Munhoz, lamentou a ausência da cantora no desfile, mas não acredita que isso possa atrapalhar a escola. “A ausência de Beth Carvalho foi sentida. Todos nós ficamos tristes, mas ela teve um problema de saúde de não pode vir”. Mas a escola fez um grande espetáculo. Fechamos no tempo”, afirmou. Sobre a possibilidade de a escola permanecer no Grupo Especial, ele disse que isso “depende dos jurados”, mas lembrou que a Tatuapé já abriu um carnaval, como hoje, e conseguiu se manter entre as principais escolas.

Veja o que foi destaque no desfile da escola de samba Acadêmicos do Tatuapé:

23h35: O azul e o branco, as cores da agremiação, se encaminham para a passarela do samba ao som do samba-enredo Beth Carvalho, a Madrinha do Samba, interpretado por Vaguinho.

2_tatuape_filipe_araujo_estadao.jpg

23h37 – TIAGO DANTAS:
 O samba ainda não tinha começado quando aconteceu a primeira confusão do carnaval 2013. Um homem foi detido por volta das 22h30 depois de tentar entrar de ‘bicão’ no desfile da escola de samba Acadêmicos do Tatuapé. Segundo testemunhas, o homem entrou no ônibus dos componentes, embora ninguém o conhecesse. A direção da escola chamou a policia civil. Como o homem não quis sair, os policiais deram uma gravata e o levaram para a Delegacia do Turista.

23h49 – TIAGO DANTAS: Com a sambista Leci Brandão à frente, a Acadêmicos do Tatuapé começou seu desfile, oficialmente, às 23h38. “Uma homenagem merecida, a Beth é uma pessoa fantástica”, disse Leci. Como se recupera de uma cirurgia, a homenageada foi representada por sua sobrinha, Lu Carvalho. “Ela é meu ídolo. Grande orgulho estar aqui, desfilando em São Paulo pela primeira vez.”

1_leci_helvio_romero.jpg

00h02: Comandada pelo mestre de bateria Higor Silva, a bateria, que veio atrás do carro abre-alas, entra no recuo.

00h11: A escola de samba apresenta o gosto de Beth Carvalho pela dança e o seu primeiro violão, que ganhou de presente dos avós.

00h15 – TIAGO DANTAS: “Gremio Recreational School of Samba Acadêmicos do Tatuape.” Foi assim, em inglês mesmo, que a primeira escola de samba a desfilar nesta sexta-feira foi anunciada. Pela primeira vez, o Sambódromo tem tradução dos anúncios oficias para espanhol e inglês. Além do nome das escolas, os locutores também deram informações sobre segurança contra incêndios e rotas de fuga, em caso de acidentes.

00h22 –  Na terceira alegoria, o carnavalesco Mauro Xuxa mostra a paixão da sambista carioca pelo bloco Cacique de Ramos, do qual ela já foi madrinha.

1_cacique_helvio_romero.jpg

00h32 – A bateria volta para a pista e segue atrás do último carro-alegórico da escola.

00h43 – Acadêmicos do Tatuapé encerra seu desfile dentro do tempo regulamentado.

01h23  – TIAGO DANTAS: O último componente da Acadêmicos de Tatuapé passou pela linha amarela que delimita o fim da passarela quando o cronômetro marcava exatos 65 minutos, o tempo máximo permitido para cada escola. “Foi no laço. Mas passamos no tempo e não precisamos correr”, afirmou o presidente da agremiação, Roberto Munhoz. O enredo sobre Beth Carvalho empolgou o público que, no final do desfile, já cantava a letra. “Foi lindo”, disse a cantora Lu Carvalho, sobrinha da homenageada. “Minha tia ligou várias vezes e me deu umas dicas. Disse que eu tinha que sorrir o tempo todo e mostrar toda a alegria que o samba dá para todos nós.” Como ainda está se recuperando de uma cirurgia, Beth acompanharia o desfile pela internet, segundo a sobrinha. A Acadêmicos do Tatuapé levou para a avenida quatro carros alegóricos e cerca de 2.200 componentes. “Agora depende dos jurados, mas, se Deus quiser, vamos ficar no Grupo Especial”,  disse Munhoz.

Com informações de Fabíola Girardin, Roberto Lira e Suzana Inhesta, da Agência Estado.

01h45 – TIAGO DANTAS: Veterinário e professor de  educação física, Daniel Manzioni, de 37 anos, desfila há 7 anos como “rei de bateria”, fato que lhe rendeu uma menção no Guiness Book, o livro dos recordes. Este ano, ele saiu pela primeira vez em uma agremiação do Grupo Especial, a Acadêmicos do Tatuapé. “Alguns homens não entendem esse meu cargo, mas venho aqui para as mulheres”, disse Manzioni, em entrevista ao Estado:

Como foi desfilar pela primeira vez no Grupo Especial como rei de bateria?

Foi muito emocionante. Desfilo há 17 anos, só como rei de bateria saio há sete. Foi muito bom ver esse público todo e sambar ao lado da minha rainha e da minha bateria. A escola veio redondinha, a bateria arrasou. Espero que a gente consiga ficar entre os cinco primeiros.

Você enfrenta algum tipo de preconceito por ser rei de bateria?

Não, não. Ser pioneiro é muito difícil. Em 1994, a Grande Rio teve um homem à frente da bateria, mas ele estava travestido, foi como rainha de bateria. Eu, não. Uso roupas masculinas, não gosto de vulgaridade. Mas é difícil estar na frente de 250 ritmistas homens. Alguns homens não entendem esse meu cargo, mas venho aqui para as mulheres. É para elas que eu sambo. E vou sambando do começo ao fim da avenida.

Como você se prepara para o carnaval?

Eu malho o ano inteiro. Quando chega mais perto do carnaval, faço mais aeróbico, para aguentar a maratona. Também faço bronzeamento artificial e massagem, drenagem linfática.

De onde veio a ideia de ser rei de bateria?

Sempre gostei de carnaval. Em 2005, o presidente de uma escola da Uesp (União das Escolas de Samba de São Paulo) chamada acadêmicos de São Paulo, me chamou para ser rei de bateria, ao lado da rainha, claro. Em 2007, vim para a Tatuapé. Sou muito grato a esse convite.