Carnaval ‘fora da lei’ lota Vila Madalena

Estadão

04 Fevereiro 2013 | 13h29

Milhares de foliões tomaram no domingo, 3, as ruas da Vila Madalena, na zona oeste, e disputaram espaços com os carros em um carnaval clandestino, que não foi autorizado pelas autoridades municipais de trânsito. Diversas vias do bairro acabaram sendo fechadas por trios elétricos e automóveis.

Entre às 18 h e às 20h, a reportagem não encontrou um único marronzinho da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). A CET afirmou que os blocos de carnaval que arrastaram uma multidão no sábado e domingo não seguiram a lei de eventos e que não estavam autorizados a desfilar e fechar as ruas.

Foto: JB Neto/Estadão

Segundo a CET, na tarde de ontem, quando um trio elétrico fechou a Rua Harmonia, eles pediram apoio da Polícia Militar. A PM, contudo, pelo menos até às 20h30, também não havia ajudado na organização do trânsito na região. A PM não confirmou que tinha sido acionada pela CET para atuar na área.

Desfilaram ontem na Vila Madalena pelo menos quatro blocos, como o Confraria do Pasmado e o Nóis Trupica Mais Não Cai. Os trios elétricos, que eram seguidos pelos foliões, percorreram o circuito dos bares, como as Ruas Aspicuelta, Purpurina e Harmonia.

Por volta das 18h, em frente aos bares Quitandinha, Filial e Genésio, na rotatória da Rua Aspicuelta, um gol azul estacionou no meio da rua e passou a tocar funk e pagode de porta-malas aberto e foi cercado por jovens que dançavam no local. Carros tentavam passar pelo cruzamento bloqueado, criando grande confusão no trânsito.

O empresário Paulo Leite, sócio do Empório Sagarana, que abriu há dois meses na Rua Aspicuelta, reclamou da confusão. Ele disse que costuma fechar à 1 da madrugada no sábado, mas que acabou fechando mais cedo, às 22 h. O bar trabalha com cerveja importada. “Tomei vários calotes, vomitaram no bar e tomei prejuízo”, disse. Ontem, ele fechou o bar e abriu um balcão para vender apenas para quem passava pela rua.

O advogado Fernando Ferreira, da Associação de Moradores da Rua Mateus Grou, disse que apoia o carnaval, desde que haja mais organização. Professor de muay thai, ele afirmou que o ambiente foi tranquilo. Viu apenas uma briga de madrugada. “Mas logo separaram. A festa é ótima, só que precisa organizar melhor”, afirmou.

A tensão no trânsito, no entanto, provocou confusões. Na Rua Girassol, onde ocorria o ensaio da Escola de Samba Pérola Negra, componentes da agremiação foram para cima de um motorista que tentou cruzar a multidão. Eles só não brigaram no meio da rua porque foram separados por terceiros.

 

Bruno Paes Manso

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