Galo da Madrugada sai no Recife com 2,5 milhões

Estadão

09 Fevereiro 2013 | 15h01

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Fonte: Hélia Scheppa/ JC Imagem

Angela Lacerda, Recife – Despreocupado com o tamanho do bloco de máscaras Galo da Madrugada – apontado como o maior do planeta pelo Guinness, o livro dos recordes – e sem intenção de disputar com o Bola Preta do Rio de Janeiro quem atraiu mais gente, o presidente da agremiação, Rômulo Meneses, estimava que 2,5 milhões de pessoas participaram de seu desfile. Ele teve início às 9 horas e lotou as ruas de quatro bairros centrais da cidade até o seu final.

“Nossa responsabilidade não é ser o maior, mas ser cada vez melhor”, disse ele, enquanto muita gente fantasiada e feliz se divertia desde cedo na concentração, no Forte das Cinco Pontas. Meneses disse que o Galo influenciou outros blocos no Rio e em São Paulo, mas da mesma forma, sofreu influência. “Também nos inspiramos em outras culturas”, afirmou. “Chamo de isso de transposição do Galo”, disse ele, fazendo referência ao tema do desfile O Rio São Francisco deságua no mar do Galo.

“Como o São Francisco, que é uma correnteza de água, o Galo é uma correnteza de gente e também é fonte de energia e de renda”, comparou, ao convidar o Bola Preta a participar do desfile da agremiação. Para ele, toda esta “polêmica” é positiva: “só fortalece o carnaval de rua”.

O Galo foi animado por 30 trios elétricos e 100 artistas, entre eles Fafá de Belém e Carlinhos Brown, Elba Ramalho e Nena Queiroga. Mas a estrela foi o frevo: além de patrimônio imaterial e cultural da humanidade, o dia do Galo coincidiu com o dia do frevo, nove de fevereiro.

A maioria dos foliões preferiu o suor e o aperto das ruas ao som do frevo, em detrimento do conforto dos camarotes que surgiram neste ano, oferecendo ambiente climatizado e bandas próprias. “Galo e aqui, é no chão, no meio da massa”, disse Marcos Barbosa que há dez anos leva sua boneca velha ou é levado por ela no Galo. Com ele concordavam grupos fiéis ao Galo, que acompanham o bloco desde quando ele fazia jus ao nome e tomava as ruas do bairro de São José com o raiar do sol.

Desta vez, Luiz Lapenda e cerca de 20 amigos foram de “Xoxa (uma galinha), o xodó do galo”. Com roupas inspiradas nas carrancas do Rio São Francisco, eles brincavam, provocando muitas risadas. Carregando uma placa “O galo sou eu”, o folião de 73 anos dizia ser o rei do poleiro. Marta Pessoa, outra amante do Galo, preferiu ir de Rose, a amiga do ex-presidente Lula. “Enquanto durou, enquanto eu pude ficar incógnita, foi ótimo.”