Império leva médicos e curandeiros para a avenida

Estadão

10 Fevereiro 2013 | 05h11

Equipe AE

Médicos, curandeiros, pajés e xamãs coloriram o encerramento do carnaval paulistano no desfile da Império de Casa Verde, que trouxe em seu samba-enredo o tema Para todo mal, a cura. Até mesmo a civilização egípcia e terapias orientais foram lembradas pela escola na caminhada pela avenida já no início da manhã de domingo.

A comissão de frente trouxe xamãs em ritual de cura que abriu o desfile com demonstração dos poderes do espírito da natureza. Em seguida, odaliscas enfeitaram uma das alas com a dança da fertilidade antes de dar passagem ao carro abre-alas dos Jardins Suspensos da Babilônia guardados por dois grandes tigres, animal que é um dos símbolos da escola.

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O tema da mumificação dominou todo o segundo carro alegórico da escola que trouxe ainda um faraó sendo submetido ao procedimento de conservação do corpo antes de seguir para o sarcófago. Os membros da bateria, comanda pelo mestre Zoinho, que fizeram uma apresentação sem incidentes, também estavam vestidos de múmia.

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A porta-bandeiras Jeniffer e o mestre-sala Marquinhos vieram fantasiados de Nabucodonosor e Mirtes, que vestia uma saia de 40 quilos com a miniatura dos jardins babilônicos. As alas seguintes foram tomadas pela representação do poder de cura dos egípcios, com carnavalescos vestidos de Deusa Isis e Deus Ra. Um dos carros alegóricos fez referência à medicina oriental, destaque para o símbolo do Yin and Yang, que representa o equilíbrio.

O Império levou ao sambódromo aproximadamente 2.500 componentes em 24 alas e cinco carros alegóricos. A rainha de bateria foi Valesca Reis. Tradicional por alegorias superdimensionadas, neste desfile apresentou um carro de 70 metros, sendo que a média é de 30 a 40 metros.

A agremiação ficou em 11º lugar no carnaval de 2012 com o enredo “Na ótica do meu Império, o foco é você!”. O último título foi conquistado em 2006 com o enredo “Do Boi Místico ao Boi Real – De Garcia D’Ávila na Bahia ao Nelore – O Boi que come capim – A Saga pecuária no Brasil para o Mundo”, contando a história da pecuária no Brasil.

Veja os destaques da apresentação:

06h10 – JULIANA DEODORO: Império de Casa Verde, a última escola a entrar na avenida começa seu desfile pouco depois das 6h da manhã. Assim que os portões se abriram, dois caminhões pipa, que limparão a avenida, já se posicionaram na concentração.

06h21 – JULIANA DEODORO: Apesar de não ter uma ala dedicada aos doutores da alegria na Império de Casa Verde, os médicos do projeto não foram esquecidos pela escola. Todos os integrantes da diretoria, que ajudam na coordenação das alas, estão vestidos com jalecos e perucas coloridas, representando os doutores.

06h33 – BEATRIZ BULLA: O diretor de carnaval da Império de Casa Verde, Marcelo Casanossa, afirmou que a escola tentará fazer o desfile mais técnico possível e levantar o público na última apresentação do carnaval de São Paulo.

06h44 – JULIANA DEODORO: Com enredo sobre a cura, a Império conseguiu reunir em uma mesmo carro mais componentes orientais do que a Vila Maria, que homenageou a Coreia. No carro que fala sobre o equilíbrio, pelo menos 48 integrantes de descendência oriental compõem a parte da frente da alegoria.

06h45 – TIAGO DANTAS: A Império da Casa Verde sempre teve um tigre branco articulado no carro abre-alas. Esse ano, a alegoria veio para o sambódromo com três tigres estáticos, como se fossem esfinges egípcias. Mas isso não significa que os bonecos que se mexem ficaram de fora do desfile. O segundo carro da agremiação mostra uma múmia gigante, cujos braços se mexem.

06h56 – BEATRIZ BULLA: A rainha da bateria da escola, Valeska Reis, afirmou que vai “sambar muito” para levantar o público que ficou até o final dos desfiles. “Sambar muito. É isso que tem que fazer”, disse Valeska. Para ela, que desfila pela 11ª vez, a emoção do desfile de hoje é grande. “Parece que essa é a primeira vez”, afirmou, pouco antes de entrar na avenida.

06h59 – TIAGO DANTAS: A Império da Casa Verde deixou um cheiro de rosas no sambódromo. No meio das baianas, que levavam oferendas para Iemanjá, passistas carregavam um recipiente com incenso. Ao balançar o objeto, o cheiro era liberado.