Susto marca desfile da Mancha Verde sobre Mario Lago

Estadão

09 Fevereiro 2013 | 01h04

Com ampla fonte de inspiração na vida e arte de Mario Lago, a Mancha Verde passou pela passarela do samba em São Paulo em 62 minutos, dentro do tempo regulamentar, depois de um susto com cerca de 30 minutos de desfile na madrugada deste sábado. Houve um pequeno foco de incêndio no carro abre-alas que foi apagado rapidamente pelos bombeiros. Um membro de apoio da escola teve queimadura leve em uma das mãos.

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A comissão de frente inovou, com uma figura central que, inicialmente, parecia uma estátua-viva de cobre de Mario Lago. Pouco depois, o representante do artista saía de sua posição quase inerte para dançar e fazer acrobacias.

A ala das baianas também emocionou, já que as mulheres representaram o grande amor de Mario Lago que foi casado por 50 anos, depois de conhecer a futura esposa em um comício do partido comunista. Aliás, política sempre esteve presente na vida do artista, cujo avô era italiano e anarquista. Seus dois avôs ganharam uma alegoria em sua homenagem.

Trechos das arquibancadas pareciam as de um estádio durante os jogos do Palmeiras, com faixas estendidas de cor verde e branca.

A bateria, comandada pelo Mestre Caju, representou os malandros da Lapa, ambiente frequentado por Lago e grande parte da boemia carioca na primeira metade do século 20. A rainha de bateria da escola Mancha Verde, Viviane Araújo, estava vestida da mítica Dama da Noite, uma fantasia com plumas e ornamentos dourados. Uma ala lembrou a primeira prisão do homenageado, que aconteceu em 1932.

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O carro alegórico que fechou o desfile da Mancha Verde homenageou a presença de Mario Lago nas novelas brasileiras. A enorme barriga de uma grávida fez alusão a Barriga de Aluguel, de autoria de Glória Perez e exibida em 1990, quando o ator fez o papel de doutor Molina. Outro carro que exibia a figura de um lagarto era alusivo ao apelido do artista, “Lagartão”, principalmente entre os boêmios na noite carioca.

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Veja os destaques do desfile da escola de samba Mancha Verde:

02h19: Atrás da comissão de frente, que trouxe uma “estátua-viva” de Mário Lago, vem o carro abre-alas da escola fazendo referência à imigração italiana no Brasil, origem da família do homenageado da noite.

02h44 – WLADIMIR D’ANDRADE: Os integrantes da Mancha Verde e o público do Anhembi passaram por um grande susto há pouco. Com cerca de 30 minutos de desfile, foi observado um pequeno foco de incêndio no carro abre-alas da escola que homenageia Mário Lago. Os bombeiros apagaram o fogo rapidamente e agora acompanham de perto o carro alegórico, que já chegou à dispersão do sambódromo. Um membro de apoio da escola teve queimadura leve em uma das mãos.

03h03 – Termina o desfile da Mancha Verde.

03h17 – WLADIMIR D’ANDRADE: Depois de dar seus últimos passos na avenida do Sambódromo do Anhembi, o modelo Daniel de Paula, que representou Mário Lago no carro abre alas no desfile da Mancha Verde, se apressou a tirar a máscara de silicone de seu rosto. “É como estar dentro de um outro corpo. Até dá para respirar bem, mas ela fica presa ao rosto”, disse, sentindo-se aliviado. Ele contou que foi escolhido para ser Lago pela organização da escola pelo seu biotipo (alto e magro). Mas disse que teve que estudar o personagem por meio de vídeos da época em que o homenageado compunha e atuava. “Estudei muito o jeito como ele andava para reproduzir na avenida”.

03h56 – NATALY COSTA: O presidente da escola, Paulo Serdan, afirma que os fogos que saíram do carro abre-alas eram permitidos e que uma brigada de incêndio estava a postos. “A nossa diferença (em relação a boate Kiss de Santa Maria) é que usamos fogos que são permitidos para a ocasião”.

A Mancha Verde perdeu o barracão que tinha em setembro, quando a Fábrica do Samba começou a ser construída no mesmo espaço e eles tiveram de sair. “Nossa nova quadra só ficou pronta dia 5 de janeiro e foi aí que começamos a ensaiar”, disse Paulo Serdan. Mesmo com as dificuldades, ele estava confiante. “Acho que arrebentamos”.

Viviane Araújo, rainha de bateria, distribuía beijos na diretoria da Mancha. “Ainda vou desfilar na Salgueiro do Rio. O Carnaval para mim está apenas começando”.

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Com informações de Fabíola Girardin, Marcelo Galli e Wladimir D’Andrade, da Agência Estado.