Nenê levanta arquibancada na sua luta pela igualdade

Estadão

09 Fevereiro 2013 | 21h52

Equipe AE

Apesar de cerca de 20 minutos de atraso para entrar na avenida, mas sem estourar o tempo regulamentar para o desfile, a Nenê de Vila Matilde levantou a arquibancada. Foi a primeira do segundo dia do Grupo Especial do carnaval de São Paulo. O enredo com diferentes enfoques de reivindicação sobre igualdade, com destaque para o preconceito racial, agradou ao público no Anhembi.

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A comissão de frente mostrou a luta do bem contra o mal. A presença de integrantes do bloco baiano Olodum também fez a plateia vibrar. Eles vieram no terceiro carro alegórico, o Baticum do Olodum no Pelourinho, e também junto com outros ritmistas da bateria da Nenê.

A ala Canudos foi um espetáculo de dramaturgia, que contou com a presença do diretor Zé Celso Martinez, como Antonio Conselheiro. Junto com outros integrantes do Teatro Oficina fizeram uma encenação, com sertanejos sendo mortos por soldados. Ao fim, todos davam as mãos para celebrar a igualdade, o tema da agremiação que quer se manter na elite do carnaval de São Paulo, depois de vencer no ano passado no Grupo de Acesso.

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Outra a se destacar na pista foi a madrinha de bateria Déborah Caetano, que veio caracterizada de diabo, com traje nas cores preto e roxo.

Confira os destaques da escola:

22h50 – JULIANA DEODORO: Logo antes da entrada na avenida, a Nenê de Vila Matilde enfrentou um contratempo. Diretores de harmonia recolheram as pressas as alegorias de cabeça da ala Panfleto da Igualdade, a sexta a entrar na avenida. Segundo integrantes, não havia chapéus suficientes para todos.

22h52: Chegou, chegou no templo do samba/ O gueto da gente, a mais querida/ No coração Matildense/ Nenê é minha Águia, minha vida… O cantor Celsinho interpreta o samba-enredo Da Revolta dos Búzios à Atualidade, Nenê Canta a Igualdade, uma composição de Cláudio Russo, J. Veloso, Marquinhos, Ney do Cavaco e Medina, que segue a tradição da agremiação em celebrar questões sociais.

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22h53 – NATALY COSTA: Nenê de Vila Matilde começa com 20 minutos de atraso e levanta torcida. Arquibancada grita.

22h56 – JULIANA DEODORO: Em seu discurso, o presidente da escola disse: “A águia se recolheu para curar e agora nós vamos com tudo”. Em 2009, a Nenê de Vila Matilde caiu para o grupo de acesso, o que resultou em mudanças na administração da escola.

23h10 – JULIANA DEODORO: Um dos destaques da escola é a ala Canudos, que conta com a presença do diretor Zé Celso Martinez. Segundo ele, o convite veio do diretor artístico da escola, Márcio Telles, integrante do Teatro Oficina. “Sou Antonio Conselheiro, o destaque. Estou muito animado”, disse. Marcelo Dumont, ator do Oficina estava como Euclides da Cunha e foi o responsável pela coreografia. “Vamos levar uma surpresa, uma encenação fora do convencional, que vai surpreender as pessoas”, garantiu.

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23h10 – NATALY COSTA: O secretário Celso Jatene acaba de chegar ao camarote da Prefeitura. Ele relembrou seus tempos de integrante de escola de samba. “Já toquei na bateria da Mocidade, da Unidos de Vila Maria. Tenho 40 anos de avenida. Torço pro carnaval dar certo”.

23h15 – JULIANA DEODORO: À medida que a bateria da Nenê de Vila Matilde avança pela avenida, a torcida se inflama, vibra e passa a cantar o samba-enredo.

22h22 – NATALY COSTA: Destaque do primeiro carro da Nenê de Vila Matilde, a dançarina Bombom deu atenção especial a quem estava no camarote Brahma. Ao passar em frente, ela rebolou freneticamente e ouviu de volta os urros da plateia. As pessoas, porém, não sabiam quem ela era. “Uma passista bonita, tchê”, dizia uma turista gaucha.

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23h27 – JULIANA DEODORO: Leonardo Silva e Nicinha Simpatia, casal de mestre-sala e porta bandeira, desfilam com uma fantasia futurista. A alegoria, com luzes azuis e adereços transparentes representa o Iluminismo. Segundo Leonardo, ambos carregam baterias nas costas. A dele pesa 5kg e a de Nicinha, 8kg. “Na hora da adrenalina não sentimos o peso. Só lá no final que vai fazer diferença”, diz. “Agora não tem como não brilharmos”.

23h33 – ARTUR RODRIGUES: O prefeito Fernando Haddad (PT) disse que veio para ver a Nenê de Vila Matilde. A escola da zona leste é a preferida do filho do prefeito, Frederico Haddad. Ele também brincou dizendo que a escolha da cor verde foi errada, já que hoje era o dia do desfile da Gaviões da Fiel. No primeiro de desfile, ele só foi embora depois de ver o desfile da escola de coração, a Vai-Vai.

23h35 – NATALY COSTA: Ânimos exaltados no camarote Brahma. Superlotado, o local parece ser terreno fértil para brigas. A reportagem já viu duas na iminência de acontecer, com direito a xingamento e empurrões  Tudo isso longe da vista dos seguranças.

23h43 – JULIANA DEODORO: Assim como havia sido prometido, a ala formada por atores do Teatro Oficina fizeram uma encenação no meio da avenida. Eles mostraram os sertanejos reverenciando Antonio Conselheiro. Depois, eles são mortos pelos soldados. No fim, todos se dão as mãos, celebrando a igualdade, tema da Nenê neste ano.

23h51 – TIAGO DANTAS:  Se não bastasse ter ditado o ritmo da comissão de frente da Nenê de Vila Matilde saudando o público a todo momento, o diretor artístico Márcio Telles, deu um show a parte na dispersão. Chorando muito, Telles cumprimentou integrantes de todas as alas que chegavam ao fim da avenida. “A Nenê veio para brigar. É o resultado do nosso comprometimento. A Nenê, hoje, é minha namorada”, disse, ainda muito emocionado com o desfile.

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00h05 – JULIANA DEODORO: Os portões fecharam faltando um minuto para o fim do desfile. Assim que o cronometro parou, os componentes explodiram, aos gritos de “A Nenê voltou”. O presidente, Rinaldo de Andrade, foi jogado para o alto pelos componentes da escola. Filho do seu Nenê, patriarca da escola, estava sem palavras. “Foi emocionante demais”, disse.