No 1º dia de desfiles do RJ, escolas inovam com enredos que uniram tradição e modernidade

Estadão

11 Fevereiro 2013 | 11h47

Portela e União da Ilha fizeram desfiles mais conectados com o púbico e receberam muitos aplausos na primeira noite de apresentação das escolas do Grupo Especial do carnaval carioca. As duas optaram por enredos sem patrocínio – a Portela homenageou o bairro de Madureira, que completa 400 anos, e também seu torcedor mais ilustre, Paulinho da Viola, e a Ilha reverenciou o centenário de nascimento do poeta Vinicius de Moraes. Apesar do reconhecimento dos setores populares das arquibancadas, nenhuma das duas disputa o título. Já seria uma vitória para a Portela conseguir um lugar no desfile das campeãs – sábado, com as seis melhores. Já a União da Ilha luta para se manter na elite.

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Como já era de se esperar, Salgueiro, ainda na noite de domingo, e Unidos da Tijuca, a atual campeã, foram as escolas mais luxuosas e técnicas na primeira parte da festa. São fortes candidatas ao título, embora, no caso da Tijuca, quem esperava muitas novidades do carnavalesco mais cotado do carnaval do Rio, Paulo Barros, teve de se contentar com as já costumeiras coreografias em carros alegóricos lotados de foliões. Talvez ‘engessado’ por um enredo decidido pela diretoria da escola – sobre a Alemanha – Barros não  conseguiu surpreender, como em outras vezes em que se consagrou com ideias Originais.

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A Inocentes de Belford Roxo abriu os desfiles com enredo sobre a Coreia do Sul e não empolgou nem mesmo seus integrantes. Está próxima de cair para o Grupo A. Depois, o Salgueiro, exuberante, com alegorias muito bem acabadas, contou a história da fama. A escola recebeu R$ 3,5 milhões de uma revista de celebridades e levou assim mais luxo para a Sapucaí.

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A grande expectativa da noite estava reservada para a Unidos da Tijuca, por causa da criatividade de Paulo Barros. Ele usou o deus Thor, deus do trovão dos povos germânicos, para pontuar o desfile. Na comissão de frente, apresentou o personagem com sua arma mais poderosa, um martelo. Cada integrante da comissão trazia um martelo que , em um efeito especial de prestidigitação, “flutuava”. Depois, eles subiam numa peça alegórica, de onde simulavam uma queda.

A Tijuca enfrentou problemas com o carro abre-alas, que teve dificuldade de entrar na Sapucaí e se deslocou de forma muito lenta em alguns pontos da avenida. Apesar disso, cumpriu o tempo regulamentar de desfile sem correria. O carnavalesco Paulo Barros classificou o desfile como “perfeito”, mas admitiu que não tinha informações mais detalhadas sobre o transtorno provocado pelo abre-alas. “Meu sentimento é de dever cumprido. Estou satisfeito.”

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Com fantasias leves e muita descontração, a União da Ilha, a quarta a desfilar, mostrou ao mundo um Vinicius boêmio, diplomata, mulherengo, letrista e poeta. Dos seus quatro principais parceiros em canções conhecidas no mundo todo, Carlos Lyra e Toquinho marcaram presença como destaques no sambódromo. Os parceiros que morreram, Tom Jobim e Baden Powell, também foram homenageados em esculturas e algumas fantasias.

A ‘garota de Ipanema’ Helô Pinheiro, que inspirou Tom e Vinicius a compor um clássico da música popular brasileira, reluzia em traje branco e dourado e dividiu seu papel com a jovem atriz Thalita Lippi. O ator Eriberto Leão representou Tom Jobim.

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Em uma noite de enredos estranhos à tradição do carnaval do Rio, a Mocidade Independente rendeu homenagem ao Rock In Rio, festival de música que surgiu na cidade nos anos 80. A escola misturou samba com rock e só agradou com as paradinhas e coreografias da bateria. De novo, pouco ou quase nada foi visto no desfile da Mocidade, campeã pela última vez em 1996. Dos grandes nomes que já passaram pelo Rock In Rio, só foi possível ver covers de Cazuza, Renato Russo e Whitney Houston e uma grande escultura articulada de Stevie Wonder.

Só o último carro contou com artistas em carne e osso: Paula Toller, George Israel, Marcelo Yuka e músicos das bandas NX Zero e Jota Quest, entre outras, além de Elza Soares.

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Com milhares de bandeirinhas nas cores azul e branca nas arquibancadas e camarotes e uma águia de olhar intimista, a Portela começou o desfile com estilo. Contou a riqueza da história de seu bairro, Madureira, centro comercial do subúrbio carioca, exaltou sua coirmã Império Serrano, escola tradicional que desfilou no sábado no Grupo A, a segunda divisão do carnaval do Rio, e lembrou vários ícones do bairro, como o ‘Mercadão’, o estádio de futebol do Madureira e o baile de charme realizado semanalmente debaixo de um viaduto.

O momento mais emocionante ficou reservado para o último carro alegórico, que trouxe Paulinho da Viola, comemorando 70 anos, com a elegância de sempre. Ele foi ovacionado pela plateia e ainda assim manteve a serenidade. “Foi muita emoção, um samba que contagiou, as pessoas vieram cantando. Essa homenagem se estende a incontáveis portelenses, eu de certa maneira representei essa história”, afirmou.

A Portela fechou o desfile na madrugada de ontem como a preferida do público que ficou na Sapucaí até o último instante. No entanto, deve perder pontos em vários quesitos, entre os quais alegorias e fantasias.

(EQUIPE :Antonio Pita, Clarissa Thomé, Fábio Grellet, Heloisa Sturm, Monica Ciarelli, Sílvio Barsetti e Tiago Rogero. Chefia – José Luiz Alcântara)