Mocidade Alegre repete vitória de 2012 e é campeã do carnaval 2013 em São Paulo

Estadão

12 Fevereiro 2013 | 12h24

Em uma apuração disputada e decidida no último quesito, a Mocidade Alegre repetiu a vitória do ano passado e saiu como a grande vencedora do carnaval de São Paulo em 2013, com 268,9 pontos. Este é o oitavo título da Mocidade. A escola ficou empatada com a Rosas de Ouro, mas pelo critério de desempate das notas de samba enredo acabou levando o troféu. Na outra ponta da tabela, a Vila Maria e Mancha Verde foram rebaixadas.

A apuração dos votos do carnaval paulistano foi realizada nesta terça-feira, 12, no sambódromo do Anhembi, às 16 horas. No entanto, está vedada a participação do público no evento para evitar incidentes como o do ano passado.

Em 2012, a Império de Casa Verde foi o epicentro de uma briga na apuração. Um de seus torcedores invadiu a área reservada e destruiu as cédulas com as notas das escolas. A invasão provocou um tumulto que se estendeu para a área externa do sambódromo com carros alegóricos destruídos.

O clima da apuração foi tranquilo. Os integrantes da Nene de Vila Matilde comemoram bastante as notas. A escola retornou ao grupo especial neste ano.

Na Águia de Ouro, os ânimos ficaram exaltados. Eles perderam 1.1 ponto por terem estourado o tempo do desfile, mas a diretoria se mostrou confiante confiante. “Sexta-feira estaremos lá”, “ninguém vai nos passar para trás”, dizem.

Primeira noite de desfiles

A Acadêmicos do Tatuapé cumpriu com competência, mas sem grandes brilhos, a tarefa de levar à avenida a história da sambista Beth Carvalho. Só faltou mesmo a homenageada, que foi proibida de desfilar pelos médicos porque ainda se recupera de uma cirurgia na coluna a que se submete no ano passado.

[galeria id=5790]

A Rosas de Ouro entrou para a lista de candidatas ao título ao levantar o público e fazer a arquibancada do sambódromo cantar seu samba. A atual vice-campeã, e tradicional por trazer o luxo para a avenida, surpreendeu pelas fantasias ricas em detalhes.

Com ampla fonte de inspiração na vida e arte de Mario Lago, a Mancha Verde passou pela passarela do samba em 62 minutos, dentro do tempo regulamentar, depois de um susto com cerca de 30 minutos de desfile na madrugada deste sábado. Houve um pequeno foco de incêndio no carro abre-alas que foi apagado rapidamente pelos bombeiros. Um membro de apoio da escola teve queimadura leve em uma das mãos.

Com medo de estourar o tempo regulamentar, o que não ocorreu, a Vai-Vai apressou um pouco a passagem das últimas alegorias e alas no desfile que falou do vinho. A agremiação, com 3.800 componentes, é uma das maiores do carnaval paulistano.

Parte da arquibancada superior do sambódromo já estava vazia na madrugada do sábado, 09, quando a X-9 Paulistana entrou na avenida. Um dos destaques da agremiação foi a rainha de bateria, Rosemeire Rocha, de 33 anos, que desfilou grávida de oito meses.

[galeria id=5794]

No último dia do ano do dragão chinês, a Dragões da Real homenageou seu símbolo no carnaval paulistano. Com pouco mais de 10 minutos de desfile, a chuva caiu forte sobre a agremiação que surgiu de uma torcida organizada do São Paulo Futebol Clube. Por conta disso, boa parte do público procurou abrigo e as arquibancadas ficaram vazias durante o início da apresentação.

Com chuva e o dia amanhecendo, a Águia de Ouro entrou no sambódromo homenageando o sambista carioca João Nogueira e fechou o primeiro dia de desfiles das escolas do Grupo Especial de São Paulo. Houve corre-corre para encerrar o desfile dentro do tempo regulamentar, mas não impediu a agremiação de ultrapassar um pouco o limite, o que poderá custar alguns pontos a menos.

Segunda noite 

Com uma exaltação à luta pela igualdade, a Nenê de Vila Matilde abriu a festa e levantou a arquibancada. Vibração a mais para a escola da zona leste foi garantida por integrantes do bloco baiano Olodum, que tiveram um carro alegórico e participaram como ritmistas da bateria.

A avenida virou um estádio com a chegada a Gaviões da Fiel, agremiação da torcida organizada do Corinthians. O público cantou o tempo inteiro o samba sobre a propaganda como alma do negócio, com ênfase à fidelidade. O carro alegórico com o goleiro Cássio, herói da conquista corintiana no Mundial de Clubes de 2012, também causou frenesi em sua trajetória pela passarela do samba.

[galeria id=5809]

Em busca do bicampeonato do Grupo Especial, a Mocidade Alegre traduziu com irreverência seu enredo sobre a sedução e fez o público cantar o samba com letra fácil de decorar. Da tentação bíblica da maçã no abre-alas até as alas sobre os sete pecados capitais, os adereços foram incríveis.

Quarta a desfilar, a Tom Maior empolgou o público com seu enredo sobre o prazer e transformou a avenida em um parque temático dos desejos. Espécie de ícone de Adão, um destaque masculino seminu no abre-alas provocou frisson com sua performance.

Com o enredo sobre os 50 anos da imigração coreana, a Unidos de Vila Maria fez um desfile correto, mas sem empolgar o público, formado nas primeiras filas por integrantes da comunidade no Brasil. A agremiação cumpriu o tempo regulamentar com aflição, pois teve certa demora para pôr em movimento seu segundo carro alegórico, representando o tigre asiático.

A arquibancada superior do sambódromo de São Paulo já estava vazia quando a Acadêmicos do Tucuruvi entrou no Anhembi com enredo  em homenagem à história do ator e cineasta brasileiro Amácio Mazzaropi.

[galeria id=5814]

Médicos, curandeiros, pajés e xamãs coloriram o encerramento do carnaval paulistano no desfile da Império de Casa Verde, que trouxe em seu samba-enredo o tema Para Todo Mal, a Cura. Até mesmo a civilização egípcia e terapias orientais foram lembradas pela escola na caminhada pela avenida já no início da manhã de domingo.

Com informações de Nataly Costa, O Estado de S.Paulo e Agência Estado.