Carla Perez se recusa a cantar música de duplo sentido, mas Ivete defende a canção

Estadão

14 de fevereiro de 2010 | 23h02

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Foi dançando músicas de duplo sentido, como Segure o Tchan, Rala o Tchan e Mexe, Mexe, Mainha, na época em que integrava o grupo É o Tchan! que a hoje cantora e apresentadora Carla Perez fez o sucesso com as crianças que a habilitou a comandar, 15 anos depois, um bloco infantil no carnaval de Salvador. No desfile de seu bloco, o Algodão Doce, no Circuito Dodô (Barra-Ondina), na manhã de ontem (sábado), porém, Carla, agora evangélica, recusou-se a cantar o novo sucesso de duplo sentido entre as crianças: a música Lobo Mau, da banda O Báck.

Os pequenos começaram, em coro, a pedir para Carla cantar a música, durante a apresentação. “Eu trabalho com crianças, sou mãe, tenho filhos (um menino e uma menina)”, justificou, ao não atender ao pedido. “Quero cantar o que vocês pedem, mas tem muito lobo mau por aí que é mau mesmo.”

A polêmica sobre a música, que tem entre seus versos  “Eu sou o lobo mau / vou te comer” e “merenda boa / bem gostosinha / quem preparou / foi a vovozinha” começou na sexta-feira, durante o desfile do cantor Tatau – ex-vocalista do Araketu -, que também se recusou a interpretar a canção durante seu desfile e relacionou a letra à pedofilia. Ele é garoto-propaganda da campanha do Ministério Público de combate à violência sexual contra crianças e adolescentes.

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A música, por outro lado, caiu no gosto de Ivete Sangalo, que a canta em todos os desfiles nos circuitos de Salvador. Hoje, ela mostrou o Lobo Mau ao governador paulista José Serra e à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, durante sua apresentação no Circuito Osmar (Campo Grande). E defendeu a canção citando Lobo Bobo, de João Gilberto – que também conta uma história de duplo sentido entre o lobo mau e chapeuzinho vermelho.

(Tiago Décimo, do Estado de S. Paulo, em Salvador)

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