A Pele que nos Divide

A Pele que nos Divide

Paulo Rosenbaum

05 de novembro de 2020 | 10h18

Nilda Raw O.s.t. 2018

Nilda Raw, Articulatio, O.s.t, 2018

 

 

 

 

 

 

A PELE QUE NOS DIVIDE*

Inteiro-me das portas,

só para dizer,

e só para você:

cada mosaico importa

Consternados, capitulamos
na pele que nos divide
e, na pele que nos divide

ficamos, e só por isso,

somos futuro

Na pele que nos divide

Testemunhamos o amor editado

em habitantes adiados

A pele que nos divide,

Prossegue num todo táctil

Nas áreas de exposição

Nela, que nos divide,

não se recusa desejos

A pele que nos divide,

está tingida de términos.

Nela, não se expira
É na conveniência dos poros,

e amarrada ao ritmo,
que circulam as vontades.

A pele que nos divide
atinge velho e novo
brilhos e centros
arestas e quartetos

É nesta pele
Que enxaguamos os olhos na luz rachada de bereshit

Na pele que nos divide,

as colinas de separação,

os trens colados,

afrescos restaurados

símbolos reatados

signos entalhados

Na pele que nos divide

Poderíamos cruzar o sol

Perder o excesso de luz

Obter o esboço de sombras

Tua mão,
atravessaria mapas e outros corpos

confirmando o silêncio dos livros

A pele que nos divide,

novíssimo cântico dos cânticos,

nos reunificaria

Na pele que nos divide
ainda não escrita
e sob tipografias cansadas

Reúne-se nos cadernos manuscritos,

 

 

Ressurge,
quando a tensão trepida

E a pele que nos divide

Creditou-nos destino

E a pele que nos dividiu conjugou troncos.

A pele, agora separada,

arde no amor,

que ainda expira.

TORINO 10.01.2008

*Extraído do livro “A Pele que nos divide: diáforas continentais” Quixote-Do, 2018

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