Abundam políticos

Abundam políticos

Paulo Rosenbaum

10 Janeiro 2014 | 23h14

     Maranhão barra entrada da Comissão de Direitos Humanos em presídio

Estadista- Pessoa de atuação notável nos negócios públicos e na administração de um País.  Político – Aquele que trata ou se ocupa da política

Reparem que viramos o ano entre festas e barbáries. Nem me refiro aos chutes que estilhaçam ossos. A atenção se volta à anomia instalada no Maranhão. Quem acompanha noticiários não pode deixar de se espantar que um Estado contemporâneo permita que seus cidadãos sejam submetidos à barbárie, à tortura mental, ao pânico coletivo e, enfim, aos assassinatos. Onde foram parar governantes, intelectuais, alguém para se insurgir contra o desmantelamento da ordem institucional? A velha fórmula manjada dos marquetólogos construtores de imagem. Escondidos com seus assessores até que o escândalo saia da primeira página!

Afinal hoje se faz de tudo para não desagradar aliados. É ano de eleição, pois não?

Sim, existe uma relação entre as degolas nos presídios, desconstrução sistemática das polícias, massacres empreendidos por seitas fundamentalistas, anomia estabelecida e a política de avestruz dos líderes. Há escassez de estadistas, abundam políticos. No novo mal estar da civilização nacional impera uma nova modalidade de violência. Há necessidade de que a população se dobre às necessidades dos dirigentes. E de alguma forma melancólica nos transformamos em cúmplices da inação, quando seríamos os únicos com potencial para agir. Pois então alguém explique o que significa engolir a seco as explicações irracionais da governadora? É que os cabotinos do poder, que não acreditam em planejamento nem em prevenção,  preferem deixar rolar cabeças à autocrítica.

Se toda revolução implica em opressão, violência e tirania, o único ato revolucionário respeitável em nossos tempos deveria ser resistência pacifica, exigência de renúncia, paralisação do Pais enquanto a selvageria não for interrompida.

As ruas de São Luís estiveram desertas, já os saques na Argentina geraram uma corrida às lojas de armas. Por mecanismos e causas distintas estamos todos nos armando. E que moral tem um Estado para dizer “desarme-se” se não dá um fuleco para garantir segurança aos seus cidadãos? O sentimento de Republica se desfaz toda vez que o Estado se omite, e deforma-se quando se mete onde não deve. Então é claro que o lema “cada um por si” e “salve-se quem puder” vai adquirindo consistência. Uma espécie de civilização regredida, em coação lenta, mas persistente.

Há uma geração de marmanjos, dentro e fora dos presídios, da velha e da nova oligarquia, que está de tal forma contaminada pelo desdém pelas necessidades das pessoas, que só nos resta torcer por uma geração que rompa com a tradição do atraso.