Certeza, nunca. Nunca mais!

Certeza, nunca. Nunca mais!

Paulo Rosenbaum

27 de abril de 2014 | 13h38

 

 

Dia em homenagem às vítimas do Holocausto

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  (Yom HaShoah)


           A reedição do ódio

 

        http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,a-reedicao-do-odio,1146943,0.htm
 
                              http://www.estadao.com.br/noticias/inter…

 Certeza nunca. Nunca mais.

Tivera convicções, mas se convencer não fazia parte de sua personalidade.

Para ele, personalidade não passava de uma constância artificial, o simulacro de unidade que inventamos para nós mesmos.

No meio da estação realizou, não havia escapatória. Nem ficar, nem fugir.

Diante das portas abertas dos vagões, sua vida se recusou a passear pelos olhos.

Nenhum flash back. Numa multidão espremida com a esperança de sobreviver, perturbou-se em ser só mais um.

Até a morte merecia uma marca individual. Número tatuado na pele? Removido do mundo com uma pá?

Retrocedeu meio passo e virou-se ao oficial. No bolso, um lápis bem apontado esperava a oportunidade.

Pediu  papel.

Desconfiado, trejeitos lentos e olhando em volta, o soldado cedeu.

O poeta escreveu rápido, empurrado sob o som dos alto falantes:

– Entrem nos vagões Vamos partir, vamos partir, vamos partir

– As malas ficam.

—Tudo fica.

Subindo, empurrou o poema com o pé, que despencou no vão.

Assim que o trem zarpou, o SS, intrigado, ordenou que se recolhesse o papel dos trilhos:

“Fomos partidos, voltaremos inteiros”

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