Consciência em modo tranquilidade

Paulo Rosenbaum

27 Outubro 2016 | 10h44


A devastação, política ou não, tem um sentido inalcançável. Uma direção incoesa e errática. Não se sabe se as terras foram arrasadas por desejo ou exaustão, sonho ou perversão. Te disseram que sumiríamos nos desvios? Que o convés seria esvaziado e estaria livres de motins? Escuta, estas aglomerações de sujeitos que julgavas mortas ou desativadas contem vida. Homens e mulheres cuja potência foi impedida de virar ato. Como? Não se sente responsável? Sabem senhores para qualquer ação pública ou privada, é essencial aprender a noção de falha? Alguma ideia dos malefícios? Qualquer perspectiva de nos dirigir uma palavra com a expressão constrita?

Perfeitamente. Vossa aflição nunca foi a nossa. Não parece. O conjunto das pessoas comuns nunca esteve com a Violência do Poder. Estava do lado que elege. Não foi preciso compreender?

Senhor, vosso poder embarcou no intangível. E como se sabe a violação carrega suas consequências. Os senhores fizeram a fusao dos poderes a frio, não será fácil separa-los na chapa quente. Se será um drama ? Estamos somente no seu inicio. Chefete, joguete, topete são rimas previsíveis. Já o Vosso público não é mais vosso mas também não e mais de ninguém.

Cansaram de migrar famintos por lideres. Estão agora absorvidos por necessidades incompreensíveis , pelo poder como sobrevivência e resgate de qualquer horizonte. Curioso que foi um horizonte assim que foi recentemente cooptado. O Senhor não o viu? Pois é, nem outros milhões.  Não senhores, os passageiros sao vocês. Aqueles que negam o desejo de uma dignidade mínima.

Se estamos em uma democracia?. Depende. Enxerga-se o alcance da tragédia ? As agruras do sofrimento individual? A sonolência do legislador diante do frenesi? E a peste? Não é dessa peste que falamos senhor. Esta é o resultado de milhões de conversões infundadas. Esta esta se decantando — como habitualmente — fora de sua capacidade de apreensão. São as famílias em apuros. As pessoas que nem chegaram a ser adultos, mas perderam precocemente a jovialidade. Esqueceram o sentido do valor do que fazer. Se vocês são culpados por tudo? Decerto não e ate mesmo o imperdoável costuma proscrever. O demérito está na reincidência, na vossa convicta e reiterada fama de impassíveis.

Como fica a causa? Oh Senhor, nunca houve. Noite a Noite os sonhos se refazem na imaginação dos sujeitos. E o Estado deve apenas obedece-los. A causa Senhor não está em seu posto. Nem sua função é intocável nem sua emulação de nobreza convence.

Se seus dias terminarem da forma mais melancólica concebida não nos acorde. Hoje merecemos dormir o sono dos que esperaram a justiça e está em nossos planos acordar na orla de uma praia que Vossa Excelência nunca poderá compreender: a da consciência em modo tranquilidade.